O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), de 70 anos, interna-se amanhã à noite no Incor (Instituto do Coração) para se submeter, na terça-feira, à segunda cirurgia grave em menos de dois anos. Sob a coordenação do urologista Sami Arap e do cirurgião do aparelho digestivo Raul Cutait, uma equipe médica vai operar Covas na manhã da próxima terça-feira para retirar um tumor maligno, que está localizado entre a bexiga e o reto.
A lesão foi descoberta no mês passado. Os médicos não escondem que estão preocupados com a saúde do governador por causa do reaparecimento do câncer em um local muito delicado. Segundo o infectologista David Uip, médico particular de Covas, somente durante o procedimento cirúrgico será possível avaliar a extensão do problema. ‘‘A cirurgia tem dois objetivos: tirar o tumor e fazer um inventário oncológico da doença.’’
Em dezembro de 1998, após ser reeleito para o segundo mandato à frente do governo de São Paulo, Covas foi submetido a uma cirurgia para extirpar um tumor maligno da bexiga. Com base nessa investigação oncológica, os médicos deverão definir qual tratamento pós-operatório será o mais indicado. Ele poderá voltar a fazer quimioterapia.
Como não sabem exatamente o que vão encontrar entre a bexiga e o reto do governador, os médicos não arriscam informar qual o tempo de duração e a estratégia a ser adotada durante a intervenção cirúrgica.
A cirurgia está prevista para começar às 7 horas da manhã de terça-feira. Amanhã, Covas passará o dia se submetendo a uma limpeza intestinal. O governador paulista já foi informado pelos médicos de que, após a retirada do tumor, não está descartada a hipótese de ser feita uma colostomia. O procedimento consiste em desviar a saída das fezes para uma bolsa externa. Da mesma forma como procedeu há dois anos, o governador não irá se desincompatibilizar do cargo. Ele pretende continuar despachando no hospital durante a recuperação.

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