O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), transmitiu ontem o cargo ao seu vice Geraldo Alckmin Filho (PSDB), em cerimônia com cerca de 300 pessoas, no Palácio dos Bandeirantes. Durante breve discurso, Covas ressaltou as qualidades de Alckmin, a quem chamou, carinhosamente, de ‘‘Geraldinho’’, e agradeceu aos críticos do governo. ‘‘O grande segredo de quem passa pelo governo é retirar de cada crítica as lições, e não a raiva’’, afirmou Covas, licenciado do cargo de governador para concorrer à reeleição.
No ato, Covas fez um balanço positivo dos três anos e meio de governo, ressaltando avanços obtidas nas áreas da saúde, educação, segurança e habitação. Na educação, Covas afirmou que o governo criou 5 mil novas escolas e lembrou a queda no índice de evasão escolar, que passou para 5,4% nas escolas de 1º grau.
O governador ressaltou avanços na saúde, afirmando que foram entregues 3.400 novos leitos em hospitais do Estado. ‘‘A maior conquista na Saúde é o Projeto de Qualidade Integral (Qualis)’’, afirmou Covas. Segundo ele, o projeto atendeu a 300 mil pessoas em São Paulo e deve beneficiar 1,5 milhão no próximo governo. Na área de segurança, Covas destacou a construção de 21 novas penitenciárias no Estado, com 17 mil novas vagas. Em relação à habitação, o governador afirmou que foram entregues 100 mil casas.
Pesquisa Covas não adiantou a estratégia da campanha eleitoral para reverter o desempenho ruim nas pesquisas de intenção de voto, nas quais ocupa o terceiro lugar, atrás dos candidatos Francisco Rossi (PDT) e Paulo Maluf (PPB). ‘‘Minha meta é ganhar as eleições’’, disse. ‘‘Não tenho a preocupação de ganhar demonstrando as falhas dos outros, mas o meu próprio mérito.’’ O governador não apontou causas para justificar o mau desempenho nas pesquisas. ‘‘Não sei explicar as causas porque não sou analista político’’, afirmou.
Perguntado sobre qual é o principal adversário nas eleições, Covas respondeu: o eleitor. ‘‘Ou eu convenço o eleitor ou eu não ganho as eleições.’’ O governador disse que, num eventual segundo mandato, espera ter mais tranquilidade para atingir os objetivos. Ele lembrou que assumiu o governo tendo de reestruturar as contas públicas.
Covas disse que o apoio de Maluf à candidatura do presidente Fernando Henrique Cardoso não o preocupa. Segundo Covas, Maluf, desde o começo da campanha, ‘‘se viu diante de uma dificuldade de ter de escolher o candidato à presidente’’. ‘‘Ou ele escolhia a si próprio ou escolhia a Fernando Henrique’’, disse Covas. ‘‘Ele optou pelo melhor: Fernando Henrique.’’
O governador afirmou que não acredita muito no apoio do PPB ao presidente. Ele acrescentou sobre Maluf: ‘‘(Ele) é a antítese de tudo aquilo que eu acredito em política’’. Covas aconselhou Fernando Henrique a não receber o candidato do PPB sozinho.
Segundo o governador, FHC nunca teria declarado que subiria no palanque de Maluf em São Paulo. ‘‘Isso foi dito por Maluf, ao sair da reunião com Fernando Henrique’’, segundo ele. ‘‘O presidente não pode receber alguém e, em seguida, estar desmentindo o que esse alguém falou’’. Para Covas, FHC não tem nenhuma obrigação de dizer publicamente que o apóia. De acordo com o governador, ‘‘a eleição para presidente é mais importante’’.Sérgio Castro/Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Soldado do partidoCovas, com Lila, Alckmin e Maria Lúcia: ‘‘A eleição do presidente FHC é mais importante’’Governador se licencia do cargo e já sai ‘‘batendo’’, dizendo que Fernando Henrique não deve receber Maluf sozinho

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