Covas sai e inicia corrida pela reeleição
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 06 de julho de 1998
Carla Franco Agência Estado 
O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), transmitiu ontem o cargo ao seu vice Geraldo Alckmin Filho (PSDB), em cerimônia com cerca de 300 pessoas, no Palácio dos Bandeirantes. Durante breve discurso, Covas ressaltou as qualidades de Alckmin, a quem chamou, carinhosamente, de Geraldinho, e agradeceu aos críticos do governo. O grande segredo de quem passa pelo governo é retirar de cada crítica as lições, e não a raiva, afirmou Covas, licenciado do cargo de governador para concorrer à reeleição.
No ato, Covas fez um balanço positivo dos três anos e meio de governo, ressaltando avanços obtidas nas áreas da saúde, educação, segurança e habitação. Na educação, Covas afirmou que o governo criou 5 mil novas escolas e lembrou a queda no índice de evasão escolar, que passou para 5,4% nas escolas de 1º grau.
O governador ressaltou avanços na saúde, afirmando que foram entregues 3.400 novos leitos em hospitais do Estado. A maior conquista na Saúde é o Projeto de Qualidade Integral (Qualis), afirmou Covas. Segundo ele, o projeto atendeu a 300 mil pessoas em São Paulo e deve beneficiar 1,5 milhão no próximo governo. Na área de segurança, Covas destacou a construção de 21 novas penitenciárias no Estado, com 17 mil novas vagas. Em relação à habitação, o governador afirmou que foram entregues 100 mil casas.
Pesquisa Covas não adiantou a estratégia da campanha eleitoral para reverter o desempenho ruim nas pesquisas de intenção de voto, nas quais ocupa o terceiro lugar, atrás dos candidatos Francisco Rossi (PDT) e Paulo Maluf (PPB). Minha meta é ganhar as eleições, disse. Não tenho a preocupação de ganhar demonstrando as falhas dos outros, mas o meu próprio mérito. O governador não apontou causas para justificar o mau desempenho nas pesquisas. Não sei explicar as causas porque não sou analista político, afirmou.
Perguntado sobre qual é o principal adversário nas eleições, Covas respondeu: o eleitor. Ou eu convenço o eleitor ou eu não ganho as eleições. O governador disse que, num eventual segundo mandato, espera ter mais tranquilidade para atingir os objetivos. Ele lembrou que assumiu o governo tendo de reestruturar as contas públicas.
Covas disse que o apoio de Maluf à candidatura do presidente Fernando Henrique Cardoso não o preocupa. Segundo Covas, Maluf, desde o começo da campanha, se viu diante de uma dificuldade de ter de escolher o candidato à presidente. Ou ele escolhia a si próprio ou escolhia a Fernando Henrique, disse Covas. Ele optou pelo melhor: Fernando Henrique.
O governador afirmou que não acredita muito no apoio do PPB ao presidente. Ele acrescentou sobre Maluf: (Ele) é a antítese de tudo aquilo que eu acredito em política. Covas aconselhou Fernando Henrique a não receber o candidato do PPB sozinho.
Segundo o governador, FHC nunca teria declarado que subiria no palanque de Maluf em São Paulo. Isso foi dito por Maluf, ao sair da reunião com Fernando Henrique, segundo ele. O presidente não pode receber alguém e, em seguida, estar desmentindo o que esse alguém falou. Para Covas, FHC não tem nenhuma obrigação de dizer publicamente que o apóia. De acordo com o governador, a eleição para presidente é mais importante.Sérgio Castro/Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Soldado do partidoCovas, com Lila, Alckmin e Maria Lúcia: A eleição do presidente FHC é mais importanteGovernador se licencia do cargo e já sai batendo, dizendo que Fernando Henrique não deve receber Maluf sozinho


