O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), foi internado às 9h45 de ontem no Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas (HC), na capital paulista. O governador iniciou um tratamento de quimioterapia no HC para combater o novo foco de câncer, agora na meninge (membrana que envolve o cérebro e a medula espinhal). A internação não era esperada, uma vez que ele tinha uma agenda cheia pela manhã.
O médico particular do governador, o infectologista David Uip, disse que, ao tomar a decisão de interná-lo, pesou o fato de Covas ter sofrido uma queda, quando tentou ir ao banheiro, na madrugada de ontem. ‘‘Estamos lidando com uma situação muito grave, avaliei-o pela manhã e ele estava com pequenos machucados no rosto e edemas (inchaços)’’, afirmou. ‘‘Os diuréticos não estavam fazendo efeito.’’
O governador estava tomando diuréticos para aliviar o inchaço, principalmente nas mãos e pernas – efeitos colaterais dos corticóides. Segundo o médico, na noite de anteontem, o governador sentiu dores de cabeça e tomou os analgésicos de costume. Uip revelou que, na tarde de anteontem, recebeu no consultório a filha do governador, Renata, acompanhada do marido Pedro e do filho Bruno.
Da conversa com os familiares, ficou decidido que o governador deveria iniciar o tratamento o mais rápido possível. Em seguida, ligaram para Covas, que estava na residência oficial, no Horto Florestal. ‘‘Ele relutou, mas já estava aceitando a idéia’’, disse Uip. O infectologista afirmou que o início do tratamento estava sendo discutido com a família do governador desde o início da semana, mas que a definição da data tinha ficado por conta de Covas, que, segundo o médico, pediu um tempo para decidir.
O período que o governador permanecerá internado será decidido pelo médico oncologista Ricardo Brentani. Ele e o médico neurologista Milberto Scaff são os responsáveis pelo novo tratamento do governador. Os dois não concederam entrevista, mas a assessoria do Incor divulgou nota na qual esclareceu que a droga usada é o Metotrexate, aplicada por via intra-raquiana, na região lombar. Uip adiantou que Covas deve ser submetido a duas ou três sessões por semana. ‘‘A data da próxima sessão será decidida até segunda-feira.’’
O infectologista não quis falar sobre os efeitos colaterais e também sobre os chances de o tratamento ser bem sucedido. Sobre a volta do governador ao trabalho, Uip disse que ‘‘isso será avaliado a cada momento’’. Sobre um possível afastamento de Covas, ele esquivou-se: ‘‘Não falo sobre decisões políticas, nem sobre quimioterapia.’’
Segundo o médico, o Metotrexate é uma das três drogas mais usadas nesse tipo de terapia. Uip disse que o tratamento a que Covas está sendo submetido dura apenas um minuto. Consiste na retirada de 5 mililítros do líquido cefalorraquidiano (líquor) da região lombar e injetados 10 mililitros da droga. Com o líquido retirado, os médicos podem fazer exames que determinam o número de células e proteínas, o que auxilia na avalição do estado do paciente. A quimioterapia que está sendo administrada no governador age diretamente na meninge.

mockup