Agência Estado
De São Paulo
O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), disse ontem que as acusações feitas a ele pelo ex-ministro da Justiça e senador, Renan Calheiros (PMDB-AL), não têm o menor fundamento. ‘‘Se eu sou ladrão, por que ele, na qualidade de ministro, não mandou me prender?’’, indagou. Covas disse que nunca teve nenhuma ligação com o ex-ministro, tampouco fez telefonemas pedindo favores. ‘‘Não ligo para qualquer um’’, disse. ‘‘Se eu estava praticando tráfico de influências, por que não me colocou na cadeia?’’, questionou. O governador defendeu-se, dizendo que, apesar de ‘‘conviver com ladrão, ainda não se tornou um deles’’.
‘‘Sabe por que ele saiu me xingando?’’, perguntou Covas. ‘‘Eu o interpelei na Justiça e ele respondeu no Senado.’’ Perguntado se ele teria pedido a transferência para São Paulo da inspeção veicular, ironizou, dizendo ‘‘que não iria roubar em Brasília porque lá a concorrência é grande’’.
Calheiros efetivamente entregou, em julho, a FHC uma carta em que acusa Covas de tráfico de influência. Ao confirmar anteontem esta informação, dada pela revista ‘‘Istoɒ’, o porta-voz da Presidência, Georges LamaziSre, disse que o presidente entregou a carta ao ministro da Justiça, José Carlos Dias, pedindo-lhe que examinasse as denúncias e se havia a necessidade de ação federal.

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