Covas quer saída de Calheiros
Paulo Mota
Agência Folha
De São Paulo
O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), defendeu ontem a saída do ministro da Justiça, Renan Calheiros, do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. Covas citou dois motivos para pedir a cabeça do ministro. O primeiro é que não considera Calheiros um bom ministro. O segundo - decisivo, para Covas - é o episódio que resultou na nomeação do delegado João Batista Campelo como diretor-geral da Polícia Federal, no qual, segundo Covas, Calheiros teria contestado a autoridade de FHC para fazer a indicação. Um ministro não pode contestar a autoridade de um presidente, assim como um secretário não pode contestar a minha, disse.
Covas afirmou que, ao pedir a saída de Calheiros, não significa que ele esteja defendendo o afastamento do PMDB do governo - o ministro é um dos nomes do partido. Eu não acho que o presidente deva dispensar os partidos que são aliados a ele, nada disso, declarou.
O governador disse que o presidente deve fazer uma reforma ministerial rápida e rasteira, de forma a deixar o governo mais com a cara dele (FHC). A reforma ministerial deve servir também para deixar bem claro que é o presidente quem manda no País, afirmou. Covas também disse que não pretende dar sugestões de nomes para a reforma ministerial. O presidente não dá sugestões sobre o meu secretariado, por que é que vou dar sugestões no ministério dele?, declarou.
Mas a reforma ministerial terá que esperar. Em duas grandes reuniões em 24 horas, ontem o presidente Fernando Henrique mandou declarar por meio de seu porta-voz George LamaziSre, que por enquanto as mudanças estão suspensas, e que não há data definida para que ocorram.
Outro paulista, o ministro do Desenvolvimento, Celso Lafer, declarou ontem que as críticas ao seu trabalho no ministério são incorretas e injustas e reagiu, pela primeira vez, às argumentações contrárias à sua permanência no posto.





