Covas pede licença e Alckmin assume
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terça-feira, 23 de janeiro de 2001
Alexandra Penhalver Agência Estado De São Paulo 
O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), pediu ontem afastamento temporário do cargo, a conselho dos médicos, para tratar do câncer na meninge (membrana que envolve o cérebro). O vice-governador Geraldo Alckmin (PSDB) assumiu o governo do Estado imediatamente. Ele foi chamado ao Incor pela manhã, algumas horas antes de Covas receber alta do Instituto do Coração (Incor), e fez o comunicado ao lado da equipe médica que cuida do governador. Vamos tocar a rotina do governo, mas conversando permanentemente com o governador. É evidente que ele vai participar de tudo, nós vamos todos os dias conversar, trocar idéias e avaliar o trabalho, declarou Alckmin.
O governador licenciado deixou o hospital de carro, por volta das 11 horas, após ter se submetido a segunda sessão de quimioterapia. Ele trajava calça preta e camisa da mesma cor com listras lilás. Nos lábios e no queixo ainda trazia a marca dos ferimentos, já cicatrizados, sofridos em uma queda na semana passada. Ele estava acompanhado pelo seu filho Mário Covas Neto, o Zuzinha, e não deu entrevistas.
O pedido de afastamento assinado por Covas foi redigido de próprio punho em um impresso do Hospital das Clínicas. Solicito o meu afastamento temporário do exercício de governador de Estado e requeiro minha substituição pelo vice-governador Geraldo Alckmin com o objetivo de tratamento de saúde, escreveu. Antes de decidir, Covas teve uma longa noite de insônia. Passou boa parte da madrugada percorrendo os corredores do Incor na cadeira de rodas amadurecendo a decisão.
À tarde, Covas comunicou pessoalmente seu afastamento aos 24 secretários. Pedi um tempo para cuidar de minha saúde, por insistência da minha família e, em nenhum momento, a pedido do Geraldinho (Alckmin), afirmou Covas, por meio da Assessoria de Imprensa. Além dos secretários e assessores próximos do governador, participaram da reunião a primeira-dama Lila Covas e os filhos Renata e Zuzinha.
Espero que a substituição seja breve, destacou Alckmin. Participamos juntos há seis anos, sei das metas do governo e vamos nos esforçar para cumpri-las. Segundo o vice, não há um prazo estabelecido para o afastamento de Covas. Quando o governador sentir-se bem e for autorizado pelos médicos poderá voltar ao cargo. Sobre a possibilidade de ficar inelegível para o governo do Estado em 2002, Alckmin disse não estar preocupado com a eleição. Não cabe a mim decidir; é uma questão jurídica. Caberá no momento oportuno, mais próximo de 2002, ao Tribunal Superior Eleitoral se pronunciar.
O presidente Fernando Henrique Cardoso foi informado sobre o afastamento do Covas em Jacarta, na Indonésia, durante viagem oficial. Ele recebeu a notícia do líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP).


