Covas pede imediata redução dos juros
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sexta-feira, 30 de outubro de 1998
Tânia Monteiro e Nelson Breve Agência Estado 
O governador licenciado de São Paulo, Mário Covas, reeleito para um segundo mandato, disse ontem ao presidente Fernando Henrique, durante almoço no Palácio da Alvorada, em Brasília, que o governo precisa dar um sinal mais claro em relação à redução das taxas de juros. E sugeriu que se os juros não forem baixados, pode se unir a trabalhadores e empresários contra o governo. Covas sugeriu que FHC apresente medidas compensatórias para diminuir o impacto das medidas. Entre elas, a criação do Ministério da Produção que, na sua opinião, teria que ser ocupado pelo atual ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros.
Ao sair do Alvorada, o governador reconheceu que as medidas são recessivas. Avisou, no entanto, que mais recessivas ainda são as altas taxas de juros. Muito pior do que o eventual aumento de alguns impostos são as altas taxas de juros, insistiu ele, que não revelou se o presidente vai atender ao seu pedido. Se dependesse de mim, as taxas seriam reduzidas hoje, ironizou.
Covas fez questão de sinalizar à oposição que tudo é possível de ser negociado, desde que se mantenha a economia do volume de recursos estabelecido. Mas isso depende da vontade coletiva, comentou. Segundo ele, as taxas de juros afetam mais a economia no Estado de São Paulo do que as medidas de ajuste, porque elas atingem a atividade econômica tendo como consequência, o desemprego e a inadimplência.
O governador, que reassume o cargo no dia 9 de novembro, disse que só se preocupará com secretariado mais pra frente. Informou que o presidente está confiante na aprovação das medidas e deseja que isso seja feito o mais rápido possível. Ele concorda que o ajuste fiscal é doloroso mas salientou que ele precisa ser feito. Para Covas, a criação do Ministério da Produção seria uma sinalização clara do presidente que está preocupado com a estabilização, mas também com o que cria empregos.
Segundo Covas, FHC está aberto para discutir o Programa de Estabilidade Fiscal com a sociedade e as lideranças políticas, inclusive as da oposição. Ele acrescentou que a oposição não precisa de intermediário junto a FHC para discutir o ajuste. Mas eu estou pronto para ajudar a construir essa ponte se assim quiserem, disse.


