O governador licenciado de São Paulo, Mário Covas, reeleito para um segundo mandato, disse ontem ao presidente Fernando Henrique, durante almoço no Palácio da Alvorada, em Brasília, que o governo precisa dar ‘‘um sinal mais claro’’ em relação à redução das taxas de juros. E sugeriu que se os juros não forem baixados, pode se unir a trabalhadores e empresários contra o governo. Covas sugeriu que FHC apresente medidas compensatórias para diminuir o impacto das medidas. Entre elas, a criação do Ministério da Produção que, na sua opinião, teria que ser ocupado pelo atual ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros.
Ao sair do Alvorada, o governador reconheceu que as medidas ‘‘são recessivas’’. Avisou, no entanto, que ‘‘mais recessivas ainda são as altas taxas de juros’’. ‘‘Muito pior do que o eventual aumento de alguns impostos são as altas taxas de juros’’, insistiu ele, que não revelou se o presidente vai atender ao seu pedido. ‘‘Se dependesse de mim, as taxas seriam reduzidas hoje’’, ironizou.
Covas fez questão de sinalizar à oposição que tudo é possível de ser negociado, desde que se mantenha a economia do volume de recursos estabelecido. ‘‘Mas isso depende da vontade coletiva’’, comentou. Segundo ele, as taxas de juros afetam mais a economia no Estado de São Paulo do que as medidas de ajuste, porque elas atingem a atividade econômica tendo como consequência, o desemprego e a inadimplência.
O governador, que reassume o cargo no dia 9 de novembro, disse que só se preocupará com secretariado ‘‘mais pra frente’’. Informou que o presidente está confiante na aprovação das medidas e deseja que isso seja feito ‘‘o mais rápido possível’’. Ele concorda que o ajuste fiscal é ‘‘doloroso’’ mas salientou que ele precisa ser feito. Para Covas, a criação do Ministério da Produção seria uma sinalização clara do presidente que está preocupado com a estabilização, mas também com o que cria empregos.
Segundo Covas, FHC está aberto para discutir o Programa de Estabilidade Fiscal com a sociedade e as lideranças políticas, inclusive as da oposição. Ele acrescentou que a oposição não precisa de intermediário junto a FHC para discutir o ajuste. ‘‘Mas eu estou pronto para ajudar a construir essa ponte se assim quiserem’’, disse.

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