Covas passa ao segundo e chama Maluf de pivete
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terça-feira, 06 de outubro de 1998
Ricardo Galhardo Agência Folha 
O candidato do PSDB ao governo de São Paulo, Mário Covas, partiu ontem para o ataque contra o adversário pepebista Paulo Maluf. Covas chamou Maluf de pivete e malandro e o comparou um bárbaro. Ele (Maluf) é um huno (bárbaro), onde pisa não nasce grama, disse o tucano, às 13h40. Até aquele momento, Covas não dava como certa a vitória sobre Marta Suplicy (PT), terceira colocada, mas falava como se já estivesse no segundo turno.
O ataque será a principal estratégia do governador licenciado na próxima etapa da eleição. Covas disse que, além das supostas irregularidades e falhas administrativas cometidas por Maluf em suas passagens pela prefeitura e governo, vai atacar a postura moral do pepebista. Não vamos falar só da dívida que ele deixou na prefeitura, não. Também tem o comportamento, a dignidade, decência, seriedade, compostura, o pudor, disse o tucano.
Depois, lembrou uma série de supostas irregularidades nas quais Maluf estaria envolvido, como o Frangogate, trote na polícia e 48 processos contra o pepebista que estariam em trâmite judicial. Segundo Covas, é preciso lembrar e reafirmar para os mais novos os casos passados de Maluf. Ele precisa ser afastado definitivamente da política nacional, afirmou.
Covas negou ter sido beneficiado pelo voto válido de petistas que, segundo Marta, foi provocado por pesquisas de opinião equivocadas. Os eleitores do PT não estão sujeitos ao voto útil. A militância petista é muito aguerrida, disse.
Covas afirmou ter sido tão prejudicado pelas pesquisas quanto Marta, já que, até poucas semanas antes da eleição estava em terceiro lugar. Os resultados teriam desestimulado os militantes do PSDB. Segundo o tucano, os meios de comunicação só deveriam poder divulgar pesquisas na véspera da eleição. Assim os institutos não podem enganar ninguém, sob o risco de serem desmoralizados no dia seguinte, afirmou. Ele também criticou os publicitários de Maluf por supostas interferências na condução política da campanha.
Covas disse que ia esperar o final da apuração para começar a articular alianças para o segundo turno. A Marta será procurada de um jeito ou de outro. Quem estiver contra o Maluf pode contar comigo, disse. Setores do PMDB, além do PSB e do PDT também são alvos do tucano. Quanto ao engajamento de FHC em sua campanha, Covas disse que as manifestações que tinham de ser feitas já foram feitas.


