Covas nega pretexto em visita a Aparecida
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segunda-feira, 12 de outubro de 1998
Denise Carvalho 
Deus já tem muito trabalho para se envolver em luta política. A frase é do govenador licenciado de São Paulo, Mário Covas (PSDB), candidato à reeleição, após o encerramento da missa de comemoração ao Dia de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil, em Aparecida, no Vale do Paraíba (SP). O candidato do PSDB negou que tivesse comparecido à celebração com pretextos políticos. Eu vim aqui para rezar; não tive outro motivo que não o de acompanhar uma cerimônia religiosa, disse. A solenidade não é um ato de natureza eleitoral, arrematou.
Irritado com a insistência de jornalistas sobre a possibilidade de negociar secretarias, se eleito, em troca de apoio no segundo turno contra o adversário pepebista Paulo Maluf, Covas retrucou: Não sou comerciante para fazer das secretarias instrumentos de troca, afirmu. É um desaforo; eu ficaria aborrecido se me fizessem essa proposta, disse.
Covas reiterou que gostaria de contar com o apoio do PT, mas que a vontade tem de ser um ato bilateral. O candidato não acredita, porém, que a adesão do PT fará diferença nas urnas. Nada é imprecindível; estou confiante na vitória, afirmou. O candidato tucano também não espera muito do próximo debate, que deve acontecer no domingo, na Rede Bandeirantes de Televisão, em parceria com o Jornal da Tarde. O debate não será muito diferente; cada um deve mostrar suas propostas e história política; ninguém é proprietário do voto do eleitor, afirmou.
Como de costume, Covas não comentou o resultado da última pesquisa do Instituto DataFolha, que o aponta tecnicamente empatado com Maluf, com 40% das intenções de voto contra 44% para o adversário. Mas rebateu ataque de Maluf que, ontem, na propaganda eleitoral gratuita, disse que Covas não havia cumprido promessa de acabar com as filas nos hospitais. A possibilidade marcar consulta por telefone eliminou o congestionamento, aumentando o atendimento de 12 mil pessoas por dia para 16 mil por dia.
Após a cerimônia, antes de se encontrar com o cardeal-arcebispo de Aparecida, d. Aloisio Lorscheider, Covas cumprimentou eleitores e foi surpreendido pelo repentista alagoano João de Lima, que cantou a vitória do tucano em São Paulo. Aquilo que está bom não tem de mudar... toda campanha que eu canto ganha, cantava Lima.
Covas conversou rapidamente com d. Aloísio. O cardeal-arcebispo não declarou voto, mas afirmou que a população do Estado deve votar em quem pode trazer resultados positivos para a economia, emprego, educação, habitação, estradas e ferrovias. Questionado sobre quem seria o perfíl do bom administrador, d. Aloísio ficou neutro.
Os organizadores da cerimônia estimam em 500 mil os visitantes à Basílica Nacional de Aparecida, de sábado até ontem. Cerca de 45 policiais fizeram a segurança no local.


