‘‘Deus já tem muito trabalho para se envolver em luta política.’’ A frase é do govenador licenciado de São Paulo, Mário Covas (PSDB), candidato à reeleição, após o encerramento da missa de comemoração ao Dia de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil, em Aparecida, no Vale do Paraíba (SP). O candidato do PSDB negou que tivesse comparecido à celebração com pretextos políticos. ‘‘Eu vim aqui para rezar; não tive outro motivo que não o de acompanhar uma cerimônia religiosa’’, disse. ‘‘A solenidade não é um ato de natureza eleitoral’’, arrematou.
Irritado com a insistência de jornalistas sobre a possibilidade de negociar secretarias, se eleito, em troca de apoio no segundo turno contra o adversário pepebista Paulo Maluf, Covas retrucou: ‘‘Não sou comerciante para fazer das secretarias instrumentos de troca’’, afirmu. ‘‘É um desaforo; eu ficaria aborrecido se me fizessem essa proposta’’, disse.
Covas reiterou que gostaria de contar com o apoio do PT, mas que a vontade tem de ser um ato bilateral. O candidato não acredita, porém, que a adesão do PT fará diferença nas urnas. ‘‘Nada é imprecindível; estou confiante na vitória’’, afirmou. O candidato tucano também não espera muito do próximo debate, que deve acontecer no domingo, na Rede Bandeirantes de Televisão, em parceria com o ‘‘Jornal da Tarde’’. ‘‘O debate não será muito diferente; cada um deve mostrar suas propostas e história política; ninguém é proprietário do voto do eleitor’’, afirmou.
Como de costume, Covas não comentou o resultado da última pesquisa do Instituto DataFolha, que o aponta tecnicamente empatado com Maluf, com 40% das intenções de voto contra 44% para o adversário. Mas rebateu ataque de Maluf que, ontem, na propaganda eleitoral gratuita, disse que Covas não havia cumprido promessa de acabar com as filas nos hospitais. ‘‘A possibilidade marcar consulta por telefone eliminou o congestionamento, aumentando o atendimento de 12 mil pessoas por dia para 16 mil por dia. ’’
Após a cerimônia, antes de se encontrar com o cardeal-arcebispo de Aparecida, d. Aloisio Lorscheider, Covas cumprimentou eleitores e foi surpreendido pelo repentista alagoano João de Lima, que cantou a vitória do tucano em São Paulo. ‘‘Aquilo que está bom não tem de mudar... toda campanha que eu canto ganha’’, cantava Lima.
Covas conversou rapidamente com d. Aloísio. O cardeal-arcebispo não declarou voto, mas afirmou que a população do Estado deve votar em quem pode trazer resultados positivos para a economia, emprego, educação, habitação, estradas e ferrovias. Questionado sobre quem seria o perfíl do bom administrador, d. Aloísio ficou neutro.
Os organizadores da cerimônia estimam em 500 mil os visitantes à Basílica Nacional de Aparecida, de sábado até ontem. Cerca de 45 policiais fizeram a segurança no local.

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