O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), anunciou ontem, no Palácio dos Bandeirantes, a disposição para disputar um novo mandato. ‘‘Pretendo colocar meu nome à consideração do partido para ser candidato’’, declarou o governador, depois de comunicar ao secretariado, às 12h35, que havia cedido a ‘‘ponderações feitas por companheiros’’ em defesa da candidatura.
Em seguida, o presidente Fernando Henrique Cardoso recebeu oficialmente a notícia. Ele e Covas estiveram reunidos por cerca de uma hora no Palácio dos Bandeirantes.
O presidente deixou a sede do governo paulista sem falar à imprensa. Covas teme desencadear acusações de que a máquina estatal estaria sendo usada com fins eleitorais. O tucano também evitou conceder entrevistas após a saída de Fernando Henrique, mas afirmou que fica no cargo até o fim do mandato.
Em setembro, no mesmo Salão de Despachos onde ocorreu o encontro de ontem, o governador havia comunicado aos secretários que não iria se apresentar à reeleição. Ao lado da primeira-dama Lila Covas e da filha, Renata, Covas revelou de surpresa a nova decisão e disse que seria candidato ‘‘com vontade’’. Foi rápido, segundo os interlocutores, e pediu que eles não se manifestassem. Ao completar a fala, foi aplaudido.
Covas disse ter mudado de idéia ‘‘pela mesma razão’’ que o conduziu à idéia anterior: ‘‘Eu achava que não devia ser (candidato), anunciei isso com tempo hábil e cedi a ponderações.’’ Segundo o governador, ‘‘ninguém precisa explicar porque é ou não candidato.’’
‘‘A gente é (sic) ou não candidato não é porque queira ou não queira ser eleito, e ser governador de Estado é uma glória para qualquer um’’, afirmou. ‘‘Apenas, na minha maneira de pensar, era mais lógico procurar outros candidatos dentro do partido, de forma que o rodízio se estabelecesse.’’
Apesar de o partido não ter procurado outros nomes para substituir o de Covas ao longo dos últimos seis meses, o governador ressaltou que ‘‘passa’’ a ser candidato apenas no momento em que o partido o aprovar como representante no pleito.
O governador recusou a idéia de que entra na corrida eleitoral para um embate polarizado com o pré-candidato e ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) - primeiro colocado nas pesquisas de intenção de voto. ‘‘Parece que tem seis ou sete candidatos lançados e vou disputar com os eleitores, tentar convencê-los que posso apresentar proposta melhor e até com o aval de uma administração que vai ser julgada nesse instante.’’ Em ocasiões anteriores, Covas afirmou que enfrentar Maluf seria um estímulo para a candidatura.(AE)

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