O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), disse ontem que o encontro entre Fernando Henrique Cardoso e Paulo Maluf (PPB) foi ‘‘escondido’’ e que está esperando o presidente informá-lo sobre o que foi conversado - caso envolva a sucessão paulista. Em duas ocasiões ontem, Covas alfinetou o jantar de segunda-feira entre FHC e Maluf em Brasília, mas não fez críticas diretas ao presidente. ‘‘Não tenho direito de perguntar nada ao presidente. É parte de suas prerrogativas receber líderes, mesmo que sejam adversários’’, disse Covas pela manhã.
À tarde, disse que o encontro FHC-Maluf fora ‘‘escondido’’. ‘‘O que eu li nos jornais é que isso foi escondido. Maluf chegou lá de noite, incógnito, esteve no hotel tal, sem dizer a ninguém, e foi visitar o presidente, incógnito.’’ Também afirmou que espera ser informado sobre o assunto discutido se ele envolver o PSDB paulista. ‘‘Eu faria o mesmo’’, disse. Covas demonstrou um incomum bom humor na manhã de ontem. Segundo um de seus homens de confiança, isso faz parte da estratégia de não parecer melindrado com o caso FHC-Maluf.
Covas adotou a tática do ‘‘pagar para ver’’ em relação à aproximação de FHC e Maluf. Segundo a ‘‘Agência Folha’’ apurou, mandou seu partido parar de criticar abertamente o encontro entre o presidente e Maluf, o principal adversário na campanha da reeleição do ano que vem. A estratégia incluiu ordens expressas do Palácio dos Bandeirantes para que tucanos paulistas parem de dar declarações criticando o encontro.
‘‘O partido tem que parar com essa ciumeira. Há muitas declarações infelizes. O PSDB é grande e tem que pensar grande. Os votos vinculados a Maluf são bem-vindos para a aprovação das reformas’’, afirmou Paulo Kobayashi, presidente tucano da Assembléia Legislativa e do diretório paulistano do PSDB. Kobayashi ressalta, porém, que isso não tem reflexo obrigatório nas eleições do ano que vem. ‘‘É muito cedo’’.

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