Covas exige reação de FHC
Agência Estado
De São Paulo
O governador Mário Covas (PSDB) lamentou ontem o teor dos discursos que militares da reserva da Aeronáutica fizeram no almoço de desagravo ao ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB) brigadeiro Walter Brauer, terça-feira no Rio, e cobrou uma reação do presidente Fernando Henrique Cardoso. Foi muito ruim isso ter acontecido, disse o governador. Eu vi coisas inaceitáveis sendo ditas e acho que o governo deve se pronunciar sobre isso.
Apesar da irritação com os discursos, a possibilidade de um golpe militar foi afastada por Covas. Não me parece algo com consequências imprevisíveis e não vejo nenhum perigo imediato nisso, avaliou. Certas coisas a gente sabe como começam e não sabe como terminam. O governador fez as declarações logo após ter assinado decreto de nomeação de 42,8 mil professores de ensino médio na Secretaria da Educação de São Paulo.
O almoço de desagravo ao ex-comandante acabou sendo um ato de protesto dos militares nacionalistas contra o governo. Cerca de 660 pessoas, a maioria militares da reserva, lotaram o salão do Clube da Aeronáutica e aplaudiram longamente o presidente da entidade, brigadeiro Ércio Braga, que em seu discurso conclamou a sociedade a dizer que havia chegado à fronteira do inaceitável.
A maior crítica de Covas foi ao deputado Jair Bolsonaro (PPB-RJ), que é capitão do Exército. Quando se vê um deputado, que é parlamentar e militar ao mesmo tempo, dizendo que vai matar o presidente, percebe-se que essa histeria, graças a Deus, é um ato isolado de duas ou três pessoas.
O discurso de Bolsonaro foi o mais radical e chegou a propor a execução de Fernando Henrique. Ele, para mim, tinha de ser fuzilado, afirmou. O deputado defendeu a adoção do que classificou como padrão Hugo Chávez para o Brasil, referindo-se ao presidente da Venezuela. Se aparecer um oficial general, um militar qualquer que tenha como capitalizar para si os anseios da população, podemos partir para isso, disse.
No Rio, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) disse ter comentado com Fernando Henrique que achava estranho a presença de membros da UDR no almoço. E, segundo ele, Fernando Henrique teria emendado: Eu também estranhei. Os dois se encontraram na casa do empresário Israel Klabin, em Ilha Grande (RJ).





