O último debate da eleição para o governo de São Paulo, o maior colégio eleitoral do Brasil, sexta-feira à noite na TV Globo, foi marcado por trocas de acusações, controvérsias de números, ironia, além de ameças de declarações sobre a vida pessoal dos candidatos. Repetitivos, os candidatos insistiram em resgatar temas já desgastados.
O candidato pelo PPB, Paulo Maluf, o primeiro a responder a pergunta que abriu o confronto (‘‘Por que os eleitores devem votar no senhor?’’) comprovou que mudou de tática em cima da hora. O pepebista disse que sempre foi defensor da população de São Paulo e não ‘‘vaquinha de presépio’’. Maluf, que durante a campanha evitou atacar o governo federal, fez críticas à política nacional. ‘‘Seguraram esse pacote para dar vantagem aos candidatos do PSDB’’.
O pepebista repetiu pelo menos três vezes que deu apoio a Covas na última eleição. Acusou Covas de dever R$ 150 milhões para o PAS. O governador licenciado disse que a suspensão dos recursos foi determinada por ordem judicial. Maluf também tentou desmoralizar programas de governo de Covas. Ele disse que o Estado dá leite B para os cachorros e C para as crianças. Criticando o Programa Leve Leite da prefeitura por ser importado, Covas disse que dava leite comprado do produtor natural.
A tensão dos últimos dias antes da eleição fez com que os candidatos realizaram o debate mais violento da campanha. Durante duas horas, entre 21h45 e 23h45, Maluf e Covas trocaram acusações e ofensas. Mais agressivo, o candidato do PPB chamou por várias vezes o tucano de ‘‘mentiroso’’ e ‘‘desonesto’’. Covas, sempre no contra-ataque, perguntou sobre as supostas irregularidades envolvendo o ex-prefeito, como o escândalo dos precatórios e do chamado ‘‘frangogate’’. Logo no início, o Ibope já registrava 44 pontos de audiência, uma média alta para o horário.
No momento mais tenso do debate, Maluf reclamou de que sua família estaria sendo ofendida pela Internet e por faixas fora da emissora e ameaçou com um revide. ‘‘Se você não se comportar, no próximo bloco vou mostrar uma fita’’, bradou Maluf. Na volta do intervalo, porém, o assunto foi esquecido.
Mais tranquilo, embora suando muito, Covas manteve as risadas irônicas do primeiro debate. Ironizou o plano de governo de Maluf e continuou, como já fizera antes, comparando a gestão dos dois no governo do Estado. Mas foi em cima dos supostos escândalos que o candidato do PSDB bateu mais forte. ‘‘O que o senhor fez com o dinheiro dos precatórios?’’, perguntou.
Rio de JaneiroO candidato da Coligação Muda Rio (PDT-PT-PSB-PCB-PC do B) ao governo fluminense, Anthony Garotinho, chega ao dia da eleição em nítida vantagem nas pesquisas de opinião sobre o seu oponente, César Maia (PFL-PPB-PTB). Uma surpresa para quem observasse o quadro político do Rio há cerca de seis meses, quando o líder das sondagens era Maia, e o pedetista enfrentava problemas para fechar a sua aliança com o PT.
E a briga com o PSDB impediu uma associação mais direta à campanha de FHC, que o pefelista chegou a criticar. ‘‘A campanha foi muito prejudicada pela quantidade de candidatos’’, diz Maia. ‘‘O grande momento eleitoral foram as alianças para ter tempo de televisão.’’ O pefelista adotou um discurso de campanha muito conservador, pregando, por exemplo, o uso de creolina para expulsar a população de rua das calçadas. Garotinho ultrapassou Maia e quase venceu o pleito no primeiro turno. Maia não compareceu ao debate da sexta-feira, o que tornou o evento uma entrevista de Garotinho.

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