Caso a casoCovas: mais comodidade e dentro da éticaO governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB) vai licenciar-se do cargo entre os dias 3 de julho e 30 de outubro, para concorrer à reeleição. Ele anunciou a sua decisão ontem na convenção do partido, que homologou a aliança com PTB, PSD e PV. ‘‘Para mim é mais cômodo, não consigo fazer as duas coisas simultaneamente, não porque acho antiético’’, justificou.
Para Covas, a decisão não prejudica o presidente Fernando Henrique, que vai disputar a reeleição no cargo. ‘‘O presidente não depende de eu estar ou não no governo para ganhar a reeleição.’ Segundo o ministro da Saúde, José Serra, FHC reagiu ‘‘positivamente’’ à decisão de Covas, e pediu ao ministro que ‘‘lhe representasse’’ no evento.
O tema principal da convenção foi o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, que morreu em abril. Vários tucanos incluíram o ministro em seus discursos, inclusive a viúva de Motta, Vilma, presente na convenção. O partido exibiu um vídeo com imagens e declarações de Motta.
A convenção do PSDB ‘‘a maior do partido’’, segundo Serra e o presidente do PSDB paulista Mendes Thame, reuniu milhares de pessoas no pátio da Assembléia Legislativa. Os arredores ficaram lotados de cartazes, caminhões de som e houve farta distribuição de bonés e camisetas de candidatos às eleições proporcionais.
De acordo com a Assessoria de Imprensa do Palácio Bandeirantes, 800 ônibus vieram dos diretórios regionais, mas ninguém soube informar o custo da convenção. ‘‘Vamos gastar na campanha o mesmo que gastamos há quatro anos, menos de R$ 20 milhões’’, disse Thame. Segundo ele, amanhã a comissão executiva da campanha reúne-se para criar um comitê financeiro.
Sem fecharDe acordo com Covas, não haverá mudança estratégica na proposta para um segundo governo. ‘‘A proposta é a da revolução administrativa’’, disse. ‘‘Mas não vou precisar fazer o enorme esforço que eu fiz para colocar a casa em ordem.’’ O governador fez as primeiras promessas para um eventual segundo governo.
Aliviado com a decisão de deixar o governo, Covas prometeu aumentar de 400 mil para 1,5 milhão o número de trabalhadores retreinados e o número de agentes de saúde. Além disso, ele comprometeu-se a entregar mais 200 mil unidades habitacionais e reservar 50% das vagas nas universidades públicas para alunos de escolas públicas, e criar a Secretaria da Juventude.
O governador afirmou estar seguro de que o quadro apontado pelas pesquisas será revertido. Covas está em terceiro lugar, atrás do ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) e do pedetista Francisco Rossi. O governador mandou um recado para Rossi, que vem acusando seu governo de ter fechado o Estado. ‘‘No meu governo não fechamos para balanço, só quem não tem audácia e experiência administrativa pode pensar que São Paulo pode parar.’’

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