Covas critica disputa de alas do governo
Eliane Azevedo
Agência Estado
Do Rio de Janeiro
A disputa, dentro do governo, entre partidários do desenvolvimento e os defensores da estabilidade monetária foi classificada como um despropósito pelo governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), diante de uma platéia de empresários cariocas reunidos ontem para o Fórum de Gestão Pública Eficiente, patrocinado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).
Sem utilizar o recurso das meias-palavras, Covas disse que a discussão entre os integrantes das duas facções se transformou numa disputa pessoal entre os que apóiam as posições do ex-ministro das Comunicações Luís Carlos Mendonça de Barros encarregado do plano econômico do PSDB e o ministro da Fazenda, Pedro Malan.
O desenvolvimento só pode ser feito com estabilidade e a estabilidade não é um fim, mas um instrumento para se chegar ao desenvolvimento, afirmou o governador. De repente, virou uma disputa, uma discussão em que o problema pessoal é mais importante que o problema substantivo, e a gente está discutindo se está do lado do Luís Carlos Mendonça de Barros ou do Pedro Malan.
Ele garantiu não entender como os dois temas podem ser compreendidos como antagônicos. Falar em desenvolvimento virou uma agressão a quem fala em estabilidade, mas as duas coisas se complementam, são irmãs gêmeas, apontou. Covas lembrou que a política econômica não é obra do ministro, mas do governo e do presidente Fernando Henrique Cardoso.
O governador alertou, porém, que está na hora de virar o jogo manter a estabilidade da moeda e incentivar o desenvolvimento. Ninguém, quando fala em desenvolvimento, está pensando em voltar a inflação, o período cartorial, em direcionar financiamentos para determinados grupos, garantiu. Covas disse que tem se dirigido de forma direta e aberta a Fernando Henrique para apresentar as divergências.
Ele admitiu que há pontos de vista diferentes dentro do governo federal, não apenas em relação aos dois conceitos, mas no caminho a seguir para chegar ao desenvolvimento. Essa é uma discussão saudável , afirmou. Mas, se cada vez que o sujeito falar em desenvolvimento, isso for apresentado como crítica ao Malan, e, se cada vez que o Malan falar isso, for apresentado como uma resposta a quem fala em desenvolvimento, aí, é ruim.
Covas disse esperar que o novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Tápias, cuja posse está marcada para a próxima terça-feira em Brasília, fale do tema que batiza a pasta. Aí, como vai ser classificado, como inimigo do Malan?, ironizou. O governador elogiou a capacidade demonstrada por Tápias na iniciativa privada, mas advertiu: Isso não significa necessariamente que terá um bom desempenho na área pública, que é mais complicada, mas espero que cumpra sua tarefa.
O governador não quis polemizar a respeito da anunciada pré-candidatura do ex-presidente Fernando Collor de Mello à Prefeitura de São Paulo. Ele tem o direito de candidatar-se e é uma boa oportunidade para a gente ver o que o povo está pensando, apontou.Governador paulista diz que monetaristas e desenvolvimentistas travam disputa pessoal sem propósito e prejudicial
Arquivo FolhaABSURDOMário Covas afirma que problema substantivo virou problema pessoal: De repente, a gente está discutindo se está do lado do Luís Carlos Mendonça de Barros ou do Pedro Malan





