O governador paulista Mário Covas (PSDB-SP) fez ontem a última visita a uma obra de sua gestão antes de se licenciar do cargo, na segunda-feira. Covas esteve na hidrelétrica de Porto Primavera, que não pode entrar em funcionamento em razão de uma liminar dada pela Justiça em Presidente Prudente.
Sem poder inaugurar a usina, Covas dedicou-se a atividades paralelas. Assinou decreto que muda o nome da obra para Usina Hidrelétrica Sérgio Motta, sancionou a lei que retira o status de reserva ecológica das áreas que serão inundadas pela usina e assinou decreto criando outra reserva. A lei, aprovada no dia anterior pela Assembléia Legislativa, é considerada essencial para permitir a suspensão da liminar.
A nova reserva, chamada Parque Estadual do Aguapeí, é uma compensação pela área que será inundada. Em 15 dias o Ibama poderá dar a licença para o funcionamento da usina, o que permitiria a suspensão da liminar.
A visita teve toques de campanha política. Um grupo de pessoas carregava bandeiras com os dizeres ‘‘Covas governador e ‘‘Covas, nesse eu confio’’. Outras usavam adesivos nas roupas e bonés com o nome de Covas. A partir de amanhã, nenhum candidato ao Poder Executivo poderá participar de inaugurações de obras públicas.
Covas foi evasivo ao responder se pretende visitar as obras depois que elas forem inauguradas - uma hipótese em estudo no comando de sua campanha. ‘‘Não pretendo nem deixo de pretender’’, afirmou. Antes, ele havia dito que poderia ir antes ou depois da inauguração. ‘‘Eu vou ter muito gosto em ver cada uma delas, se puder ver’’.
O valor contábil do complexo é de R$ 9 bilhões. A expectativa do governo é que até o fim do ano entrem em funcionamento 3 das 18 turbinas de Porto Primavera. Elas vão gerar 300 MWh de energia, o suficiente para abastecer uma cidade de 700 mil habitantes.Mário Covas: campanha ‘‘disfarçada’’ no interiorCláudia Trevisan
Agência Folha

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