Covas assume e condena calote e juros
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segunda-feira, 11 de janeiro de 1999
Marli Olmos Agência Estado 
O governador reeleito de São Paulo, Mário Covas (PSDB), fez ontem, em sua posse na Assembléia Legislativa, um dos mais sérios discursos da história recente de São Paulo. Ele criticou, de maneira indireta, a moratória declarada pelo governador mineiro, Itamar Franco, e os juros altos, alertando o presidente Fernando Henrique Cardoso para que não descuide do desenvolvimento do País. Também reiterou a importância de São Paulo para a Federação. Participaram da cerimônia vários ministros e parlamentares.
Durante o discurso, de 22 minutos, Covas se emocionou muito e a primeira-dama, Lila Covas, chorou. Covas não bateu de frente com Itamar Franco, mas mandou seu recado. São Paulo jamais virará as costas ao Brasil; para que cumpra sua história estará honrando todos os compromissos assumidos.
Covas também alertou para a necessidade da retomada do desenvolvimento. Lembrou que a existência da estabilidade não gera desenvolvimento, da mesma forma que o desenvolvimento não indica estabilidade. Para que ambos possam correr juntos é preciso ter vontade política, disse. Covas defendeu também sobre a necessidade urgente de baixar as taxas de juros num patamar para estimular produção e gerar empregos.
O discurso do governador de São Paulo incluiu um elogio ao movimento dos demitidos da Ford. Nos novos tempos, convivemos com um paradoxo em que operários ocupam a fábrica não para fazer greve mas para poder trabalhar, disse. Não é socialmente justo que o País condene a sua força de trabalho à escuridão.
Covas destacou a importância de São Paulo para o Brasil. Se o País é ameaçado, São Paulo reage. Ele falou sobre a disposição de atrair investimentos para o Estado, estimular as micros e pequenas empresas e criar um pólo de competitividade. Tudo o que compromete São Paulo, compromete o futuro do Brasil, afirmou.
O governador citou, ainda, os idosos, para quem reivindicou a oportunidade de envelhecer com dignidade. Lembrou da gente simples da beira-mar, local onde nasceu. Pregou o respeito do operário do ABC ao empresário do Pontal, aos bóias-frias dos canaviais. Essa gente será honrada. Este País tem urgências que não podem ser adiadas.
O discurso foi interrompido diversas vezes pelos aplausos das mais de 500 pessoas que lotavam as galerias da AL. A militância do PSDB lançou Covas para a Presidência. Por ordem médica, Covas não recebeu cumprimentos e nem falou à imprensa. Ele se recupera de uma cirurgia para a retirada de um câncer na bexiga. Após a solenidade, o governador e a primeira-dama seguiram para o Palácio dos Bandeirantes.


