O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), reagiu anteontem à noite em Taquaritinga, à manifestação de solidariedade dada por três governadores do bloco de sustentação do presidente Fernando Henrique Cardoso ao governador do Paraná, Jaime Lerner (PFL), pelas isenções fiscais garantidas à montadora francesa Renault. Covas disse que prefere não entrar num confronto direto com Lerner, mas indicou que a discussão sobre a guerra fiscal pode mesmo acabar se transformando em problema político para o Palácio do Planalto num ano de eleições gerais.
Ele também ameaçou começar a praticar em São Paulo o mesmo tipo de isenção fiscal que o Paraná está concedendo ‘‘caso fique bem claro’’ que isso está previsto pela legislação federal. Essa hipótese, porém, é remota uma vez que o próprio governador é categórico ao dizer que essas isenções estão proibidas por lei. ‘‘Começa a ficar difícil de defender a lei’’.
‘‘A questão não é de entendimento (da lei); é de consultar o texto da lei’’, atacou, pouco antes de fazer a entrega de casas populares, em Taquaritinga, no interior de São Paulo. ‘‘Na lei, está escrito que não é permitido fazer isso (dar isenções fiscais), nem de forma indireta, nem sob forma de financiamento’’, afirmou, para, em seguida, comentar: ‘‘Bem, se pode, nós estamos livres para fazer.
Anteontem, em Florianópolis, durante reunião do Conselho de Desenvolvimento da Região Sul (Codesul), Lerner recebeu o apoio dos governadores do Rio Grande do Sul, Antônio Britto, de Santa Catarina, Paulo Afonso Vieira, e de Mato Grosso do Sul, Wilson Martins, todos do PMDB, ao processo de industrialização do Paraná. Britto, que garantiu duas fábricas para o Rio Grande do Sul (unidades da Ford e da General Motors) oferecendo incentivos fiscais, foi um dos que mais elogiou o governador paranaense. Lerner aproveitou o momento e chamou de ‘‘infantil’’ a decisão de São Paulo de enviar uma carta-consulta ao Cade.

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