Covas agora enfrenta câncer na meninge
O médico oncologista Ricardo Brentani afirmou ontem que a presença de células cancerosas no líquido que banha a meninge do governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), indica perspectivas piores do que as que foram apresentadas. A meninge é a membrana que envolve o cérebro e a medula espinhal.
O exame, cujo resultado foi divulgado à imprensa ontem, aponta a existência de células cancerosas no sistema nervoso. O tumor que parecia curado há dois anos, reaparece e, depois, aparece em outro local do corpo indica perspectivas piores do que já foram apresentadas, afirmou Brentani aos jornalistas.
Mas os médicos afirmaram que o governador, que vem mostrando dificuldade para falar, não apresenta tumor no cérebro. Ninguém pode saber que existem células cancerosas no pulmão ou em outro lugar, disse, no entanto, o infectologista David Uip, médico particular de Covas. De acordo com os exames de ressonância magnética de corpo inteiro, não foi diagnosticado novo câncer em Covas. Exames de imagens não enxergam massas menores do que 3 milímetros, explicou Brentani.
Segundo os médicos, o tumor que apareceu na meninge é do mesmo tipo que Covas teve na bexiga, uma metástase. Não imaginamos que seja um segundo tipo de tumor, afirmou Brentani. O bom senso mostra que pode ser o mesmo foco, continuou o oncologista. Há dois anos, Covas teve um tumor na bexiga, que voltou em novembro. Por isso, imaginamos que seja um mesmo tipo de tumor, disse Brentani.
Os médicos destacaram que os exames sofisticados não indicaram a existência de um tumor sólido e que não dá para avaliar o tamanho do câncer. Brentani comentou que há a possibilidade de o cérebro ser contaminado a partir da própria circulação sanguínea ou da meninge atacada pela doença. Pode haver essa contaminação, mas, nos exames de ressonância magnética, não encontramos dados que indicam essa contaminação, explicou Brentani.
Os médicos negaram-se a falar sobre expectativa de vida e as opções de tratamento para o governador Mário Covas. Eles também não deram detalhes sobre a quantidade de células tumorais detectadas no exame de líquor. É um detalhe técnico, não nos angustie mais do que estamos angustiados, falou Uip. Não acho razoável discutir sobre vida. Temos de discutir as medidas terapêuticas ainda e não dá para falar sobre expectativa de vida antes disso, afirmou Brentani. Acho uma atrocidade discutir prognóstico nesse momento, completou Uip.
Os médicos não comentaram também a extensão da doença. Não é necessário saber se o câncer está avançado, disse Uip. Os médicos não quiseram falar sobre a reação do governador ao saber do resultado do exame. Esse é um momento especial na relação médico-paciente, que prefiro guardar para mim; prefiro não falar a respeito, disse Uip.
O médico chamou a atenção de alguns jornalistas que divulgaram o resultado dos exames antes de a equipe médica falar com o governador Mário Covas. Foi um momento que não saiu de acordo com o combinado, afirmou Uip.





