Coutinho nega oferta a petistas
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quinta-feira, 19 de novembro de 1998
Agência Estado 
O ex-presidente do Banco do Brasil Lafayette Coutinho (governo Fernando Collor, 1990-92), confirmou ontem na Polícia Federal ter-se encontrado com o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, e com o deputado federal Luiz Gushiken (PT-SP), três dias antes do segundo turno das eleições para governador. Segundo Coutinho, o encontro foi no hangar da TAM, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Ele disse ter procurado Lula e Gushiken por uma questão política, mas afirmou não ter oferecido aos petistas documentos sobre suposta conta nas Ilhas Cayman mantida pela cúpula do governo tucano.
Acompanhado do advogado Aléssio Jaruci, Coutinho prestou depoimento de 40 minutos ao delegado Paulo de Tarso Teixeira, responsável pelo inquérito sobre a chantagem que teria sido feita contra o governo por meio da distribuição de um dossiê apontando a existência de uma empresa sediada nas Bahamas, a CH, J & T, em cuja conta haveria um saldo de US$ 368 milhões. Os chantagistas estariam pretendendo atingir o presidente Fernando Henrique Cardoso, o governador de São Paulo, Mário Covas, o ministro da Saúde, José Serra, e o ex-ministro das Comunicações Sérgio Motta, que morreu em abril.
Ao ser indagado sobre os documentos, Coutinho negou ter tido acesso a eles. Nunca recebi esses papéis, assegurou. Ele reiterou ao delegado os termos de uma nota que divulgou na semana passada: Nego terminantemente ter entregue a quem quer que seja qualquer documento envolvendo o presidente da República, o governador de São Paulo, o ministro da Saúde ou o falecido ministro das Comunicações.


