Costa é o relator do processo contra Demóstenes
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quinta-feira, 12 de abril de 2012
Agência Estado 
Depois de cinco desistências, o Conselho de Ética do Senado escolheu nesta quinta-feira o senador Humberto Costa (PT-PE) para ser o relator da representação do PSOL contra o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), acusado de envolvimento com o empresário do ramo de jogos ilegais Carlinhos Cachoeira.
O primeiro escolhido por sorteio foi o senador Lobão Filho (PMDB-MA), ausente da reunião. Coube ao líder do seu partido, Renan Calheiros (AL), avisar que o parlamentar declinava da missão. Em seguida, foi sorteado o líder do PTB na Casa, Gim Argello (DF), que desistiu da função. "Por foro íntimo, eu declino", alegou, lacônico.
Como terceira opção surgiu o nome do senador Ciro Nogueira (PP-PI), também ausente. Mas por telefone, recusou a escolha. Diante do impasse, Valadares chegou a sugerir a suspensão do encontro. Mas decidiu prosseguir o sorteio. Em seguida foram escolhidos, os senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Renan Calheiros (PMDB-AL), que recusaram imediatamente.
O petista Humberto Costa, o sexto sorteado, concordou finalmente assumir a relatoria, sob aplausos da comissão.
Demóstenes tem dez dias, contados a partir de ontem, para apresentar sua defesa à representação. Caberá a Humberto Costa, como relator, instruir o processo e elaborar parecer que poderá sugerir a absolvição do parlamentar ou aplicação de sanções que podem chegar à cassação do mandato.
O senador afirmou ainda que considera como uma "missão" ter sido sorteado relator do processo de quebra de decoro parlamentar aberto no Conselho de Ética contra o colega Demóstenes Torres (sem partido-GO), acusado de envolvimento com o empresário do ramo de jogos ilegais Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Costa aceitou o encargo após cinco senadores terem recusado a escolha sob a alegação de foro íntimo.
Em entrevista após a reunião do conselho, o relator preferiu não se pronunciar sobre as suspeitas que envolvem Demóstenes. "Esse tipo de opinião, eu prefiro não emitir. Senão estaria fazendo um prejulgamento", afirmou. "Eu acho que compromete o trabalho que vou fazer, (dizer) se ele é inocente ou culpado", ponderou.
Embora tenha avaliado que não é "agradável" julgar a conduta de colegas, Costa afirmou que a tarefa é uma das responsabilidades do cargo de senador. "Eu faço isso como uma missão", disse.
O relator disse que na próxima reunião do conselho, marcada para a terça-feira da semana que vem, apresentará um plano de trabalho do processo contra Demóstenes. Costa anunciou que pedirá ao Supremo Tribunal Federal (STF) acesso ao inquérito que investiga o senador goiano para instruir a representação.
O petista acredita que o STF repassará as informações ao conselho, mesmo a Corte tendo recusado anteriormente o envio do caso ao Senado sob a alegação da investigação correr sob segredo de Justiça. "Não acredito que o Supremo vai negar", afirmou.


