Brasília - O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou ter recebido até R$ 8 milhões da construtora Andrade Gutierrez e da Estre Ambiental, especializada em coleta e tratamento de lixo. Apesar de já citadas ao longo da Operação Lava Jato, é o primeiro depoimento de Costa em sua delação premiada que vem a público citando valores recebidos dessas duas empresas. A maior parte, "entre US$ 2 milhões a US$ 2,5 milhões", foi paga pela empreiteira, segundo ele, e R$ 1,4 milhão, pela da Estre Ambiental. As informações constam em depoimentos prestados por Costa em sua delação premiada. O ex-diretor reafirmou a versão dada à CPI mista da Petrobras. Costa sustenta que, a exemplo do que ocorria na estatal, empresas privadas também formaram carteis para atuar em outras áreas do governo: "Eletrobras, construção de hidrelétricas, portos e aeroportos", elencou.
Paulo Roberto Costa voltou detalhar o quinhão da propina que cabia a partidos - principalmente PP e PMDB - e autoridades. De acordo com Costa, "60% eram para políticos", 20% eram repartidos entre ele e o operador do esquema, responsável por receber das empresas e repassar ao ex-diretor, e o restante cobria eventuais custos. No primeiro momento, a função de intermediar a negociata era do ex-deputado José Janene, morto em 2010, quando foi substituído por Alberto Youssef. Mais adiante, Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, também passou a recolher o dinheiro. Costa afirmou que o ex-presidente da área de Engenharia da Andrade Gutierrez Paulo Dalmaso era quem tratava dos pagamentos de suborno, diretamente com Fernando Baiano.
Costa contou ter sido informado por Baiano, entre 2011 e 2013, que havia US$ 4 milhões à disposição do ex-diretor depositados numa conta em Lichtenstein, na Europa. Desse montante, "entre US$ 2 milhões e US$ 2,5 milhões eram oriundos de valores pagos pela Andrade Gutierrez".
Em outro depoimento, Costa já havia acusado a empreiteira de subornar diretores da Petrobras, mas não especificou, porém, quanto havia recebido da empresa. Nessa nova etapa da delação, o ex-diretor disse que a Estre pagou-lhe R$ 1,4 milhão em propina, pois tinha interesse em prestar serviço para a Transpetro, transportando etanol entre os estados de Mato Grosso e São Paulo.
O presidente da Transpetro, Sérgio Machado, está licenciado do cargo desde o início de novembro do ano passado. Ele se afastou depois que o mesmo Paulo Roberto Costa o acusou de ter recebido R$ 500 mil relativos à participação do esquema de corrupção na estatal. O ex-diretor disse que Wlison Quintela Filho representava a Estre e mantinha contato com Fernando Baiano para fazer o dinheiro chegar à diretoria da petroleira.
Costa disse acreditar que o R$ 1,4 milhão pago pela Estre, por intermédio de Baiano, não teve relação com o projeto que interessava à empresa. Para o ex-diretor, o valor foi dado a ele como "uma espécie de agrado", definiu em seu depoimento. Ele acrescentou que, como membro do Conselho de Administração da Petrobras, sua ingerência nas licitações da Transpetro limitava-se a incluir empresas no certame. Não tinha poderes, entretanto, para interferir na escolha do vencedor. Procuradas por volta das 17h, a Estre e a Andrade Gutierrez não se pronunciaram até o fim da tarde de ontem sobre as acusações feitas por Paulo Roberto Costa.

mockup