Costa começa a cumprir prisão domiciliar
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 01 de outubro de 2014
Agência Estado 
Rio - Após três meses em uma cela da carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, o ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa voltou ontem para sua mansão, no Rio. Acusado de participar de um esquema que fraudou cerca de R$ 10 bilhões da estatal, foi beneficiado com a prisão domiciliar após delatar políticos envolvidos com os desvios. Costa será monitorado por policiais federais e usará tornozeleira eletrônica por um ano.
Sob forte esquema de segurança, o delator deixou a carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, por volta das 13h30, e embarcou em direção à Base Aérea do Galeão, no Rio. No trajeto até sua casa, na Barra da Tijuca, zona oeste, ele foi escoltado por três viaturas e seguido por dois helicópteros. A operação envolveu mais de 50 agentes. Costa chegou em casa às 17 horas e foi recebido com o abraço de sua mulher ainda na calçada, logo após desembarcar de uma viatura da Polícia Federal, já com a tornozeleira. Suas duas filhas, citadas nas investigações como laranjas do ex-diretor, também o receberam. Uma viatura ficou no local até a noite, reforçando a segurança do condomínio já vigiado por duas guaritas, uma delas com três câmeras e margeada por cercas elétricas.
Mesmo com toda vigilância, o ex-diretor não terá motivos para reclamar do cárcere. Em abril, detido em uma cela de 10 metros quadrados, Costa escreveu uma carta relatando maus tratos dos agentes penitenciários. Ele disse ter sido privado de banho de sol e até mesmo de acesso ao sanitário. Desta vez, o delator terá à sua disposição três funcionários particulares: uma cozinheira, uma faxineira e um caseiro, segundo vizinhos e trabalhadores do condomínio. No local, há quadras esportivas, bosques arborizados e um SPA.
Todo o conforto foi garantido por Paulo Roberto Costa após o acordo de delação premiada ter sido homologado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki. Em junho, o ministro já havia concedido um habeas corpus ao ex-diretor, o único beneficiado com a decisão entre os onze investigados na Operação Lava Jato. Cerca de 20 dias depois, ele voltou a ser preso.
Costa é réu em dois processos decorrentes da operação Lava Jato. Ele é acusado de integrar esquema de contratos fraudulentos e destruir provas, segundo denúncia do Ministério Público Federal. Em seu acordo de delação premiada, o ex-diretor da Petrobras admitiu ter recebido cerca de US$ 23 milhões em propinas. O executivo também apontou ao menos 32 parlamentares e um governador beneficiados com os recursos desviados.


