Cortes de R$ 12 milhões esquentam clima no Lactec
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2004
Leandro Donatti<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Clima tenso no Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (Lactec) em Curitiba. O diretor superintendente, ex-ministro Alceni Guerra, baixou um pacote de medidas para cortar despesas. A meta é reduzir entre R$ 10 milhões e R$ 12 milhões os gastos do Lactec ao ano. Para isso, Alceni reduziu em 25% os salários do primeiro escalão, demitiu funcionários, cortou passagens aéreas, fixou metas para diminuir os gastos com água e luz, e concedeu ainda, a um grupo de funcionários, licenças sem vencimento.
O motivo para a ''tesoura'', que já está funcionando desde o início do ano segundo Alceni, foi a saída da Companhia Paranaense de Energia (Copel) da parceria mantida pela Associação Comercial do Paraná (ACP), Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Universidade Federal do Paraná (UFPR), e Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. O desligamento da Copel, que tem manifestado interesse em ter seu próprio instituto tecnológico, representa, de acordo com Alceni R$ 12 milhões de verbas a menos no ano. A saída da Copel já está registrada em ata. ''Como se não bastasse, o governo federal decidiu ainda cortar pela metade os investimentos em pesquisa elétrica, que representam 60% do faturamento do Lactec'', calculou.
O Lactec tem atualmente 530 funcionários que trabalham para cumprir contratos firmados no Brasil inteiro. A especialidade da paraestatal é pesquisa em energia elétrica, mas também desenvolve projetos em outras áreas. Em 2003, o orçamento era de R$ 53 milhões. Em 2004, a previsão era de que chegaria a R$ 100 milhões, número bem acima do que hoje se estima, algo em torno de R$ 50 milhões.
O dia ontem foi de especulações em torno dos cortes no Lactec. Fonte ligada ao governo chegou a garantir que setores da Fiep, ACP e UFPR estariam articulando a destituição de Alceni e diretoria, o que não se confirmou. Alceni admitiu que o clima é de animosidade. ''Cortes geram instabilidade, fermentando contrariedades.''


