Cortes acentuam crise entre base aliada e o governo
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quarta-feira, 15 de maio de 2002
Christiane Samarco Agência Estado 
Brasília - O corte de R$ 5,3 bilhões nas despesas orçamentárias deste ano ameaça pôr abaixo as promessas dos políticos para atender as bases eleitorais, mas não é isto o que mais preocupa os parlamentares em véspera de eleição. A base aliada está em crise com o governo e em clima de má vontade com o pré-candidato a presidente José Serra (PSDB) por conta dos acertos feitos com a equipe econômica na negociação do Orçamento de 2001.
Trouxemos os prefeitos a Brasília para assinar os convênios, o governo assumiu compromissos públicos de liberar os recursos, fez o empenho e até agora nada, conta um influente líder aliado. A pressão é enorme porque o governo jogou tudo nos restos a pagar, e não temos como cumprir a palavra com os prefeitos que já anunciaram as obras em suas cidades, completa o parlamentar. É por isto que eu digo que estão cortando vento, repete o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA).
O líder do PSDB no Senado, Geraldo Melo (RN), é um dos que admite sem rodeios que toda a base aliada paga a conta. Em seu caso, a pressão pelas liberações dos recursos empenhados para atender aos convênios com prefeituras começa dentro de casa. O líder é casado com Edinólia Melo, a prefeita de Ceará Mirim.
Mas eu espero que isto seja cobrado, em primeiro lugar, dos responsáveis pelo atraso na votação da CPMF, diz o senador, numa referência velada ao PFL. Engrossa, assim, o coro de tucanos e peemedebistas em defesa do contingenciamento seletivo dos recursos, atingindo, prioritariamente, os adversários do governo.
Eu gostaria muito de ajudar o governo a selecionar os cortes, mas acho que ninguém escapa, emenda, cético, o vice-líder tucano no Senado, Romero Jucá (RR).


