Curitiba - Cortes orçamentários ameaçam a continuidade dos serviços ofertados pela rede estadual de Agências do Trabalhador, que de janeiro a setembro deste ano já empregaram 83 mil pessoas. O governo do Paraná, na proposta orçamentária para 2013, indicou um corte de R$ 26 milhões na Secretaria do Trabalho, que utilizaria esse recurso para a manutenção da rede, espalhada por 220 municípios do interior e na capital. Brasília também não aliviou a situação, mantendo o contingenciamento de gastos dos anos anteriores.
''Para 2013, receberemos apenas R$ 6,81 milhões do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), e esse valor ficará congelado pelos próximos cinco anos'', reclama José Maurino, coodenador estadual das Agências do Trabalhador. ''Ao longo dos últimos oito anos, a rede de atendimento foi crescendo e os recursos do FAT diminuindo. Chegou ao ponto de o governo do Paraná ter que suplementar a manutenção da estrutura, como os gastos com treinamento de pessoal, aluguel de prédios, contas de luz e água, equipamentos de informática'', explica Maurino.
Chefe do departamento responsável pela área de emprego e renda do governo do Paraná, Maurino diz que hoje mais de 60% desse serviço federal é mantido pelo Estado. ''Voltei terça-feira de Brasília com a notícia de que não há possibilidade de aumentar os recursos federais'', diz, preocupado. Conforme a FOLHA apurou, se a administração estadual manter o corte de R$ 26 milhões vai causar sérios problemas no serviço. A começar pela necessidade de treinamento dos funcionários, cuja remuneração é paga pelos municípios, mas que dependem de cursos de formação para lidar apropriadamente com os desempregados. A despesa é custeada pela governo do Paraná e dispara após anos de eleição municipal, quando aumenta a rotatividade dos servidores cedidos para trabalhar nas unidades.
Somente em 2012, 281 mil pessoas cadastraram-se numa Agência do Trabalhador atrás de colocação profissional. Para atender a demanda, foram prospectadas 219 mil vagas em empresas sediadas no Paraná. ''Sabemos que o cobertor é curto'', declarou o deputado estadual Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), que deve voltar ao comando da Secretaria do Trabalho após concluir articulações na Assembleia Legislativa (AL) que envolvem disputas internas do partido. Inquieto com o assunto, Romanelli evitou polêmica com o governo estadual sobre o corte de recursos e tenta contornar a situação durante a tramitação da peça orçamentária na AL. ''Estou vendo o que é possível fazer. Já tive uma boa reunião com o Nereu Moura (PMDB), presidente da comissão de Orçamento, e com Élio Rusch (DEM), relator da matéria'', antecipou.
''Hoje temos uma capilaridade muito boa na rede de Agências do Trabalhador, pois estamos presentes em cidades grandes e médias, mas também em muitos municípios pequenos. O papel social do serviço é interessante para a gestão pública, pois elas são a porta de socorro do trabalhador. Uma coisa é bater de porta em porta atrás de emprego, outra é levar uma carta da agência, dizendo que alguém já apostou em você para aquela vaga'', discursa José Maurino, cujo trabalho agora é planejar a permanência da atividade mesmo num cenário de adversidade. ''A rede cresceu e o FAT manteve congelado o repasse, sem nem corrigir a inflação'', lamenta.

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