Curitiba - A escolha do novo prefeito de Londrina deverá ser decidida num ''terceiro turno'' entre Luiz Carlos Hauly (PSDB) e Barbosa Netto (PDT). A decisão unânime é da Corte do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE) ontem durante a segunda sessão de julgamentos do ano. O assunto foi incluído na pauta do dia pela relatora desembargadora Gisele Lemke. Apesar da decisão, o julgamento está suspenso até terça-feira quando serão analisadas as possíveis datas para o novo pleito.
Os desembargadores acataram o voto da relatora que defende que em caso de cassação do registro de candidatura - como ocorreu com Antonio Belinati (PP) - o procedimento a ser tomado é o determinado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em ofício enviado aos tribunais regionais.
Segundo o documento, em casos como o de Londrina o juiz eleitoral deve proceder o recálculo dos votos e declarar eleito o candidato que obter maioria. No caso de nenhum dos candidatos alcançar 50% mais um dos votos válidos, o TRE deve convocar um novo segundo turno. ''É meu entendimento que o ofício resolve a questão de Londrina'', defendeu Gisele.
Vários desembargadores confirmaram que a convocação do novo turno é ponto pacífico na Corte. ''Nunca tive nenhuma dúvida'', apontou Araucyr Azevedo de Moura Cordeiro. ''A relatora está certamente validando uma discussão corretíssima'', concordou Regina Helena Afonso de Oliveira Portes.
Na sequência, os desembargadores passaram a discutir a questão da data do novo pleito. ''Não cheguei a formular um entendimento sobre isso porque entendo que é uma questão administrativa do Tribunal'', defendeu Gisele. ''Mas acredito que uma data em março seria mais adequada para que haja tempo para que a situação de Londrina fique mais estável.''
Com base nisso, o presidente do TRE, Jesus Sarrão, suspendeu o julgamento até terça-feira, quando as informações técnicas sobre a realização de novos pleitos devem ser apresentadas.
Durante o julgamento, alguns desembargadores analisaram possíveis questionamentos à medida. ''Como candidato me sentiria inseguro de concorrer numa eleição que possa ser cassada pelo Supremo (Tribunal Federal)'', declarou Gilberto Ferreira se referindo ao provável recurso de Belinati ao STF.
''Os dois candidatos - Hauly e Barbosa - são deputados federais e podem ficar sem mandato caso a decisão seja revertida'', comentou Sarrão. ''São discussões que existem e que apresentei à Corte para que os desembargadores tenham conhecimento, mas que entendo que não tem espaço numa questão administrativa como é o caso da decisão sobre o novo turno'', avaliou Gisele. A desembargadora ainda negou ontem o mandado de segurança ajuizado por Hauly, em que ele pedia a sua diplomação.

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