O Brasil paga pensão a uma viúva de funcionário público com 130 anos e tem um ex-governador do Nordeste que, mesmo morto, continua sacando regularmente sua aposentadoria do setor público. Essas são duas das irregularidades descobertas pelo Ministério da Administração ao fiscalizar a concessão de aposentadorias e pensões do setor público. O ministério acredita ser possível cortar R$ 1 bilhão da folha de pessoal em 1997, com as medidas de controle sobre os pagamentos feitos sem fiscalização.
O corte dos gastos é tímido, perto do volume da folha de pagamentos do governo federal, que chega a R$ 40 bilhões. Mas impede que essas despesas continuem aumentando sem controle. E as pretensões do governo são de ajudar também no corte das folhas nos Estados.
Uma grande economia, que não depende de reforma constitucional, seria a demissão de funcionários sem estabilidade no emprego garantida pela Constituição. O Ministério da Administração identificou, ainda no ano passado, 55 mil pessoas nessa situação, das quais pelo menos 35 mil poderiam ser dispensadas sem impedir os funcionamento dos locais onde trabalham. Com a demissão, a folha poderia ser cortada em R$ 360 milhões anuais, mas a proposta ainda está em análise no Palácio do Planalto.
Um integrante da equipe econômica informou, porém, que o maior problema é político: entre os funcionários não estáveis estariam indicados por aliados do governo no Congresso, como funcionários da Funai nomeados pelo ex-presidente da fundação, Romero Jucá, hoje senador de Roraima pelo PFL.

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