São Paulo - O economista Raul Velloso, especialista em contas públicas, disse ontem que o anúncio do governo, de cortar 70% dos 21.197 cargos de confiança à disposição de indicações políticas é ''um gesto político''. Ele ponderou que a própria chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, reconheceu que o objetivo da medida não é econômico. ''É uma sinalização'', disse, descartando consequência nas contas públicas.
Pela proposta anunciada ontem, o governo teria um ano para reduzir o número de cargos de confiança, que se limitariam a 6.939. ''É complicado para um governo tão frágil como esse fazer um desmonte de cargos'', ponderou Velloso, colocando em dúvida a execução da proposta. Além de não gerar uma economia significativa, o corte envolve desgaste político e eleitoral, porque implicaria em demissões e contrariaria interesses.
Sobre a criação da Super Receita Federal, que unifica a cobrança de impostos federais e as contribuições previdenciárias, Velloso disse que a expectativa é de aumento da arrecadação, embora seja impossível estimar valores. ''Imagino que terá ganho porque a máquina de fiscalização da Receita poderá ser usada também pela Previdência'', afirmou.
Velloso lembrou que a arrecadação da Previdência Social não acompanha a velocidade de crescimento de outros impostos, nem segue o ritmo de expansão da economia. Além da sonegação em si, a Previdência sofre o impacto do mercado de trabalho informal. Mesmo com o crescimento do nível de emprego nos últimos meses, a maior fatia é de empregos informais. De acordo com Velloso, a Super Receita não deve ter um impacto imediato porque será preciso a unificação de procedimentos e ajustes para que as duas trabalhem juntas.

mockup