Arquivo FolhaRigorO prefeito Cássio Taniguchi comprou briga com os servidores, mas conseguiu economizar R$ 2 milhões por mês Quando assumiu a Prefeitura de Curitiba, o engenheiro Cássio Taniguchi (PDT) aplicou uma regra básica da matemática para tentar cobrir o déficit de R$ 40 milhões herdado do ex-prefeito Rafael Greca. Já no primeiro mês de administração, Taniguchi cortou despesas e mandou suspender o pagamento de horas extras e descansos semanais remunerados não trabalhados. Os dois benefícios consumiam R$ 2 milhões por mês.
‘‘Eram R$ 24 milhões gastos anualmente de forma indevida. Não há justificativa para se manter a incorporação de horas extras não trabalhadas apenas como mecanismo, não muito ético, de aumentar salários. Isso estava acontecendo de forma quase que descontrolada dentro da prefeitura. Por isso, cortamos tudo’’, afirmou.
Ao economizar R$ 24 milhões por ano, o prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi, comprou uma briga com o funcionalismo municipal, principalmente na Fundação Cultural de Curitiba, setor valorizado pela administração anterior.
Taniguchi reduziu o número de apresentações da Camerata Antiqua de Curitiba para economizar cachê. O novo prefeito quer popularizar a produção musical da Camerata. Na administração anterior, a Camerata era convocada para eventos fechados e com platéia seleta.
Essa redução nas despesas deve ser mantida pelo menos até o mês de junho, quando a prefeitura espera concluir o pagamento das dívidas de R$ 40 milhões herdadas do ano passado. Taniguchi disse que negociou com os credores o parcelamento dos débitos.
A maioria dos credores são empreiteiras. Segundo o prefeito, não há um único grande credor. ‘‘A dívida é bem pulverizada’’, comentou.
Além dos R$ 40 milhões, a Prefeitura de Curitiba tem mais R$ 160 milhões de dívidas de médio e longo prazos. ‘‘Mas isso não nos preocupa, já que o perfil da dívida de longo prazo é facilmente administrável, desde que a capacidade de pagamento esteja compatível com o serviço da dívida’’, garante o prefeito.
Por enquanto, o prefeito Cássio Taniguchi descarta qualquer possibilidade de reajuste salarial para o funcionalismo. Segundo ele, sua maior preocupação é com a valorização profissional.
‘‘A motivação profissional muitas vezes fala mais alto que o aspecto salarial. Temos exemplos de administrações que no início da gestão concederam 30% de reajuste, não conseguiram manter o pagamento e hoje têm uma equipe totalmente desmotivada e que consome 100% das receitas’’, argumenta.
Curitiba gasta menos de 50% de suas receitas com pessoal, o que para os servidores dá margem para melhorias salariais. O prefeito rebate essa teoria. ‘‘Se não tomarmos cuidado, corremos o risco de só gerenciar pessoal. Qualquer aumento real vai significar a redução de custeio e investimento’’, afirma.
Em relação aos programas de governo, o prefeito de Curitiba lembra que definiu 12 metas para serem cumpridas nos 48 meses de mandato. Nestes três primeiros meses, destaque Taniguchi, alguns já foram iniciados, entre eles o Plano 1000, que é o plano comunitário de pavimentação com antipó, e o Cidadão em Trânsito, iniciado com a Operação Escola e com a promoção de cursos de direção defensiva para os motoristas da prefeitura, taxistas e motoristas de ônibus (leia mais sobre os programas nesta página).

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