Cortar investimento público é cortar o capital da sociedade
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sábado, 22 de agosto de 2009
Catarina Scortecci<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Nenhum investimento até o final do ano. A decisão foi anunciada pelo governo do Paraná na terça-feira última. Culpa da crise econômica internacional, que provocou a redução dos repasses do governo federal ao Estado. A parcela paranaense da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), conhecida como o imposto de combustível, caiu de R$ 66 milhões para R$ 28 milhões. A comparação é feita entre o primeiro semestre do ano passado e o primeiro semestre de 2009. O Fundo de Participação do Estado (FPE), de janeiro a julho de 2008, rendeu aos cofres R$ 639 milhões, o que significa R$ 111 milhões a mais em comparação ao mesmo período de 2007. Já em 2009, não houve o mesmo salto: o FPE no primeiro semestre do ano representou R$ 605 milhões. Mas cortar investimentos previstos pode ter qual impacto? Para o diretor-presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Paraná (Senge/PR), Valter Fanini, cortar investimento público é cortar o capital da sociedade.
Capital público é para todos e tem impacto direto na economia. O investimento do capital privado é outra coisa. Investimento público serve para a criação de um bem que será utilizado pela sociedade, afirmou ele. O próprio governador Roberto Requião (PMDB) adotou tese semelhante quando a crise financeira mundial foi deflagrada há cerca de um ano. O investimento público foi colocado como uma das armas para enfrentar o momento.
Fanini reconhece que o orçamento de um Estado está atrelado a limites fiscais, mas acrescenta que os Estados não se mobilizaram o suficiente para obter compensações da União. Eu entendo que a origem do corte está nas ações do governo federal. É tranquilo para a União cortar porque os reflexos caem nos Estados e nos municípios. Mas por que os Estados não cobraram compensações? Faltou diálogo.
A União liberou uma linha de crédito aos Estados, mas o Paraná ainda não tem aval para buscar financiamento por conta dos títulos públicos do Banestado, comprado pelo Itaú. Independente disoo, a Fazenda garante que não tem interesse em empréstimos.
Para o supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) no Paraná, Cid Cordeiro, o Estado deveria pensar em realizar financiamentos, justamente para garantir os investimentos. Investimento é um gasto importante, alimenta a economia. O retorno é a produtividade, capaz de compensar o que foi gasto no financiamento.
Cordeiro disse ainda que considera desnecessário o corte anunciado pelo Estado. Acho que eles tiveram uma visão pessimista. O comportamento da receita no primeiro semestre não foi tão ruim e já há indicadores que apontam a saída da crise ainda no segundo semestre. Os investimentos deveriam ser aumentados em resposta à crise. Para ele, investimentos públicos são instrumento de indução dos investimentos privados.


