Cortar gastos é saída preguiçosa, diz Requião
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 03 de fevereiro de 2009
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) declarou ontem que descarta completamente a possibilidade de reduzir gastos para amenizar os efeitos da crise econômica internacional. A declaração surgiu também como uma crítica às administrações públicas que já anunciaram cortes. ''Cortar gastos é a saída clássica, pouco criativa, preguiçosa, ou quando não espertalhona. Vejo aí muitos Estados e prefeituras quebrados e que aproveitam a crise para suspender obras que não iriam fazer mesmo, para cortar despesas que não tinham condições de fazer com crise ou sem crise, para negar aumentos salariais que não dariam mesmo. E proclamam que estão fazendo um choque de gestão'', disse Requião, durante a solenidade de abertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa, em recesso desde o último 22 de dezembro.
Segundo Requião, corte de gastos é uma ''malandragem tão em moda que empana gestões incompetentes e glorifica a mediocridade''. Nos bastidores, a afirmação do peemedebista soou provocativa ao prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), também presente na solenidade. No dia 1º de janeiro último, ao ser empossado para o Executivo da Capital por mais quatro anos, o tucano anunciou o corte nas despesas de custeio, o que representa uma economia de R$ 100 milhões aos cofres públicos, e não descartou a possibilidade de reduzir investimentos dependendo da arrecadação.
Via assessoria de imprensa, Beto disse que não considerou as declarações do peemedebista como uma crítica à sua decisão administrativa. O tucano enfatizou que por enquanto foram feitos cortes nas despesas de custeio, e não nos investimentos.
Requião disse que não nega os efeitos da crise, mas reforça a necessidade de aumentar o ''investimento público que gera emprego''. Segundo o peemedebista, a receita de janeiro ''não deixou a desejar'', mas ele admite que o Estado prevê um ''aperto pesado'' para o fim do primeiro trimestre. ''Evidentemente, não estamos imunes à crise. O Paraná não está desonerado dos seus efeitos. No entanto, com certeza, estamos mais bem equipados para enfrentá-la. Porque, desde o início desta administração, em janeiro de 2003, buscamos recuperar e fortalecer as estruturas públicas'', defendeu ele.
Apesar da previsão negativa para o fim de março, Requião alega que os investimentos serão mantidos. Em 2009, o Estado pretende gastar R$ 250 milhões na construção e recuperação de estradas estaduais e municipais, aeroportos e pontes. Os programas destinados à população de baixa renda também seriam mantidos.
Requião disse ainda que o governo federal está ''no caminho certo'', em relação às medidas adotadas por conta da crise financeira mundial. Mas acrescentou que as ações devem ser reforçadas. ''A crise não pode ser tratada com aspirina. São necessárias medidas mais enérgicas.''
Presos
O governador também comentou o problema da falta de vagas para presos nas delegacias de municípios da Região Metropolitana de Curitiba. O peemedebista anunciou que o Estado vai tentar transferir presos para penitenciárias do interior, onde teriam vagas suficientes. ''Não é possível que haja rebelião em Curitiba pela resistência de juízes que não aprovam a transferência de presos para o interior.'' A última rebelião na Capital, no 11º DP, ocorreu por superlotação. O 11º DP, que fica no CIC, tem capacidade para 40 presos, mas, no momento da rebelião, 180 detentos estavam no local.


