Convidado para falar no ''Fórum de Direitos Humanos Respeito à Cidadania'' realizado ontem a noite na Câmara Municipal de Londrina, o coordenador do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), Paulo César Carbonari, fez comentários, em entrevista à tarde, sobre a crise política brasileira e lembrou que a corrupção também viola os direitos humanos porque os recursos que poderiam ser aplicados em benefício da população acabam tendo outro fim. O debate no Legislativo foi promovido para viabilizar a constituição do Conselho Municipal dos Direitos Humanos (CMDH) e contou com a participação de entidades ligadas ao tema, outros conselhos municipais e membros da sociedade civil organizada.
Carbonari reforçou que a corrupção viola os direitos do homem quando desvia recursos que poderiam ser investidos em educação, saúde, moradia, segurança, para outras finalidades. Ou seja, esse dinheiro deixa de ser investido em políticas que contribuam para a redução da desigualdade social e não reflete na vida dos brasileiros mais pobres. Nesse sentido, destacou, a criação de conselhos municipais é importante porque contribui para ampliar a visão que se tem de direitos humanos no país. ''Muito facilmente, ainda se aceita direitos humanos como direitos civis e políticos e não se avança no sentido de compreendê-los em sua universalidade, integralidade e indivisibilidade, afirmados pela Conferência de Viena em 1993. Todos os direitos se realizam juntos e precisam uns dos outros. Os CMDHs têm que agir nessa perspectiva. A pobreza não viola um único direito mas é uma situação de violação sistêmica de praticamente todos os direitos'', argumentou o coordenador do MNDH, entidade que reune mais de 400 representantes em todo o país.
Segundo Carbonari, os conselhos municipais devem atuar em três frentes principais: trabalhar na ampliação da visão atual que se tem sobre direitos humanos, ''fazendo as pessoas se conhecerem como sujeitos desses direitos''; atuar no enfrentamento de situações de violação e ser um órgão de referência à população; interferir na construção de políticas públicas propondo idéias para que a ação dos direitos humanos não se restrinja somente às situações de violação. ''É uma forma de se ampliar a cidadania para além do exercício do voto'', completou, lembrando que um CMDH deve ter o cuidado de não ''sombrear nem querer substituir'' nenhum dos outros conselhos existentes.
A união dos discursos e não apenas a criação de mais um conselho foi justamente o que motivou a iniciativa de se criar um Conselho Municipal de Direitos Humanos, apontou a vereadora Maria Angela Santini, que preside a Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Ela destacou que o fórum é significativo para se montar, primeiramente, uma rede municipal de discussão que até o final do ano deverá formatar o CMDH. No Brasil, apenas 14 capitais e algumas poucas cidades interioranas contam com conselhos municipais de defesa dos direitos do homem.

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