Curitiba - A corrupção é o maior entrave ao desenvolvimento do Brasil. Essa é a opinião de 98,5% dos três mil juízes de todo o País que responderam à pesquisa realizada pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) para mostrar o que pensa a magistratura sobre reforma política, trabalho, meio ambiente, legislação penal e crescimento do País. Aliados à corrupção, sufocam o desenvolvimento o baixo nível educacional e a alta carga tributária, na avaliação dos juízes. Também foram citadas a precariedade da segurança pública, impunidade, altas taxas de juros e má distribuição de renda.
O levantamento foi coordenado pela socióloga Maria Tereza Sadek, pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) e rendeu polêmica dentro da própria AMB, onde houve opiniões divergentes sobre a abordagem de temas tão delicados.
A pesquisa servirá de base para os debates do XIX Congresso Brasileiro de Magistrados, que acontece até sábado em Curitiba. O tema é ''Desenvolvimento: uma questão de justiça''. Além das discussões teóricas, a AMB planejou ações práticas para contribuir com o desenvolvimento. A partir de fevereiro do ano que vem, quando os parlamentares eleitos em outubro iniciam seus trabalhos, a entidade vai distribuir cartilhas sobre a reforma política, com a meta de estimular a participação popular nessa discussão.
''Durante a nossa campanha por Eleições Limpas, percebemos que o brasileiro defende a reforma política mas não sabe o que é fidelidade partidária ou cláusula de barreira, por exemplo. Queremos informar e motivar o cidadão a participar e não deixar o assunto restrito ao Congresso'', explicou o presidente da AMB, Rodrigo Collaço. A AMB também pretende utilizar a interlocução que tem no Congresso para levar o debate da reforma política ao cidadão.
Para a coordenadora da pesquisa, a abordagem de temas tão delicados mostra ''coragem'' por parte da magistratura brasileira. Segundo ela, a pesquisa não tem paralelos na América Latina.
Os juízes que respoderam ao questionário tocaram em assuntos espinhosos de sua rotina de trabalho e até fizeram autocrítica ao Judiciário. Os entrevistados apontaram como responsáveis pela impunidade a demora no encerramento de processos (97,5%), o excesso de recursos (96,3%) e deficiências em inquéritos policiais (94,9%). Além disso, quase 80% dos entrevistados apontam o foro privilegiado como aliado da impunidade.

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