Brasília - O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, apontado pelas autoridades como um dos cabeças do esquema de desvios na estatal, afirmou ontem que as mesmas irregularidades encontradas na petroleira se reproduzem em outros setores que recebem investimentos massivos do governo federal e disse que citou "algumas dezenas" de políticos na delação à Justiça. "O que acontecia na Petrobras acontece no Brasil inteiro: nas rodovias, nas ferrovias, nos portos, nos aeroportos, nas hidrelétricas! É só pesquisar!"
Costa deu a declaração numa sessão pública da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) aberta por deputados e senadores para investigar a corrupção na estatal. Perante os congressistas, ele afirmou ainda ter citado "algumas dezenas" de políticos nos depoimentos que prestou à Justiça Federal, ao Ministério Público e à Polícia Federal no âmbito de seu acordo de cooperação. Ele não quis revelar os nomes.
Nas últimas semanas, os depoimentos de Costa e de outros envolvidos com irregularidades que já admitiram culpa e aceitaram colaborar com as autoridades - como o doleiro Alberto Youssef - ganharam repercussão porque permitiram a prisão de executivos de algumas das maiores empreiteiras do País. A relação dessas empresas com o governo não termina na Petrobras. Elas têm contratos em vários setores ligados à infraestrutura do País. Segundo os delatores, as empreiteiras aceitaram pagar propinas para obter contratos com a estatal do petróleo.
Nomes de pessoas, de empresas e valores não foram, contudo, apresentados por Paulo Roberto à CPI. Ele se limitou a dizer que já deu todos esses detalhes sobre o funcionamento do esquema em sua delação, em "80 depoimentos".
As declarações de Paulo Roberto Costa foram potencializadas por uma desarticulação da base aliada durante a sessão da CPI, que foi destinada a uma acareação entre Paulo Roberto Costa e o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, a quem Costa acusa de também ter sido favorecido pelas irregularidades. Os principais líderes do PT na Câmara e do Senado não estiveram presentes à reunião na maior parte do depoimento. Integrantes do aliado PMDB - outro partido que está na mira das acusações de Costa - tampouco acompanharam a sessão
Cerveró repetiu que a compra de Pasadena foi um bom negócio para a empresa e reafirmou desconhecer a existência de "esquema de propina" na Petrobras.


Principais líderes do PT na Câmara e do Senado não estiveram presentes à reunião
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