Rio- A corrupção está atrapalhando o principal programa social do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O coordenador de Mobilização Social do Fome Zero, Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, disse ontem que a resistência de prefeitos à instalação do Conselho de Segurança Alimentar (Consea) é hoje a maior dificuldade para a implantação do programa. ''Alguns prefeitos têm resistido. É que o Fome Zero é também corrupção zero. Onde chega, a maracutaia toda aparece'', afirmou, durante o lançamento do primeiro comitê sindical do Fome Zero do país, no Rio.
Frei Betto citou como exemplo o caso de Guaribas, no Piauí, onde foi instalado o projeto-piloto do programa. Após o lançamento do Fome Zero, uma série de irregularidades da administração municipal veio à tona e o prefeito, acusado de desvio de verbas, passou a ser investigado pelo Ministério Público. ''Um prefeito disse na minha cara: 'Não quero o Fome Zero porque não quero a imprensa na cidade, as pessoas pegam no meu pé, o dinheiro dos benefícios não passa pelos cofres da prefeitura'', contou Frei Betto para representantes de 40 sindicatos, reunidos no Sindicato dos Médicos do Rio.
Depois de ressaltar que os movimentos sociais devem pressionar os governantes pela instalação dos Consea - requisito básico para oficialização do Fome Zero, formado por representantes da sociedade civil organizada e do poder público - Frei Betto observou que isso deve ser feito de ''maneira pedagógica''. ''Se o prefeito for mal intencionado vai fazer do Consea à imagem e semelhança de seus interesses eleitoreiros''. Até agora, só quatro Estados formaram os grupos para oficialização do programa: Ceará, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Ao fazer um balanço do programa, criado há três meses, Frei Betto disse que ele está ''muito bem formatado'', atende cerca de 200 municípios e não se resume à distribuição de alimentos. ''Converge para cada família beneficiada uma série de políticas públicas. O mais importante não é dar comida, e sim gerar emprego, renda, resgatar a cidadania'', afirmou, ressaltando que o benefício não vai ser distribuído até o fim do governo. ''São seis meses, renováveis por mais um ano. O beneficiado tem que começar a produzir a própria renda.''
Ele comemorou o fato de agricultores de Guaribas terem conseguido, pela primeira vez, negociar a venda da saca de feijão de forma coletiva. ''O produto era vendido a um preço miserável e agora eles conseguiram R$ 60 na saca. A economia local está sendo reativada.''

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