Corrupção em concessionárias de pedágio do Paraná dura quase 20 anos, diz MPF


Mariana Franco Ramos - Reportagem Local
Mariana Franco Ramos - Reportagem Local
Pepe Richa foi secretário de Infraestrutura e Logística no governo do irmão, Beto
Pepe Richa foi secretário de Infraestrutura e Logística no governo do irmão, Beto | Ricardo Chicarelli



Curitiba - O ex-secretário de Estado da Infraestrutura e Logística Pepe Richa, irmão do ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB), e mais 14 pessoas foram presas temporariamente nesta quarta-feira (26) durante a deflagração da 55ª fase da Lava Jato. A Operação Integração II, como foi batizada, apura irregularidades na execução dos contratos de pedágio das rodovias federais no Paraná. De acordo com o MPF (Ministério Público Federal), o esquema começou em 1999, ainda no governo Jaime Lerner.

O empresário Luiz Abi Antoun, primo de Richa, não foi encontrado. Segundo seu advogado, Anderson Mariano, ele estava no Líbano e a viagem foi autorizada pela Justiça Estadual (leia mais na página 5). A 23ª Vara Federal de Curitiba também expediu e a PF (Polícia Federal) cumpriu três mandados de prisão preventiva e 73 de busca e apreensão. Os alvos foram as seis concessionárias do Anel de Integração: Econorte, Ecovia, Ecocataratas, Rodonorte, Viapar e Caminhos do Paraná, além de intermediadores e agentes públicos.

Os procuradores identificaram dois esquemas paralelos de pagamentos de propinas relatados por três réus colaboradores: Nelson Leal Júnior, ex-diretor do DER (Departamento de Estradas de Rodagem); Hélio Ogama, ex-diretor-presidente da Triunfo Econorte; e Hugo Ono, ex-contador da Triunfo. Conforme as investigações, o primeiro conluio foi intermediado pela ABCR (Associação Brasileira de Concessões Rodoviárias) há 19 anos. Em reuniões presenciais na sede do DER, as concessionárias teriam acertado um pagamento mensal a agentes públicos do órgão estatal.

Corrupção em concessionárias de pedágio do Paraná dura quase 20 anos, diz MPF



INTERMEDIAÇÃO
O objetivo seria obter a "boa vontade" do DER para a análise de pleitos de aditivos e outros atos que atendessem aos interesses das empresas. O MPF cita a intermediação do diretor-regional da ABCR no Paraná, João Chiminazzo Neto, detido preventivamente. De acordo com o depoimento de Ogama, no início a mesada era de R$ 120 mil, valor rateado entre as seis concessionárias. O montante foi atualizado conforme os reajustes tarifários, chegando a R$ 240 mil mensais em 2010. Após reclamação das companhias, voltou a ser reduzido, para R$ 150 mil.

O delator contou ainda que Chiminazzo era quem entregava as planilhas de controles do rateio de propina em reuniões quinzenais na sede da ABCR em Curitiba. "Esse assunto de pagamentos indevidos surgia sempre que havia necessidade", disse. Segundo o MPF, os beneficiários finais eram agentes públicos do DER e, depois de 2011, da Agepar (Agência Reguladora do Paraná).

Já as entregas eram realizadas com dinheiro em espécie. Os procuradores estimam que a arrecadação ilícita soma R$ 35 milhões, sem considerar atualização monetária. Os pagamentos duraram até o final de 2015.

Os demais presos temporariamente na Operação Integração 2 que tinham cargos no governo Richa são: Luiz Claudio Luz, ex-chefe de gabinete de Pepe Richa; Aldair Wanderlei Petry, o Neco, ex-diretor-geral da Secretaria de Infraestrutura e Logística; Antônio Carlos Cabral de Queiroz, ex-funcionário do DER e da Agepar (Agência Reguladora do Paraná); e Maurício Eduardo Sá De Ferrante, diretor jurídico da Agepar.




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