Brasília - A primeira avaliação feita pelo DataSenado na atual gestão do presidente José Sarney (PMDB-AP) mostra que os escândalos comprometeram a imagem da Casa junto a todos os segmentos da população brasileira. Para 50% das pessoas entrevistadas, a corrupção é o ''maior problema'' da instituição. A falta de transparência é o segundo grande problema para 21% dos que foram ouvidos na pesquisa - 16% criticaram o excesso de gastos.
A demora nas votações de matérias legislativas foi apontada como problema por apenas 12%. E só 1% das pessoas ouvidas pelo 0800 não quiseram se manifestar sobre o desempenho do Senado. Foram entrevistados 1.277 cidadãos no mês passado, com acesso a telefone fixo, em 81 municípios, incluídas as 27 capitais e o Distrito Federal.
O Senado, que tem um orçamento de R$ 2,7 bilhões, enfrenta desde o início do ano uma série de denúncias por causa de desmandos administrativos envolvendo funcionários e senadores - excesso de diretorias, contratação de parentes e agregados da família do presidente Sarney em cargos comissionados, intermediação de seu neto nos negócios de crédito consignado a servidores da Casa, pagamento de horas extras no período de recesso e a casa de R$ 4 milhões que Sarney não declarou à Justiça Eleitoral, entre outras irregularidades.
O Senado tem quase dez mil funcionários que trabalham para atender 81 senadores. São 3.500 servidores terceirizados, 2.800 comissionados e 3.300 funcionários efetivos. Nos três segmentos, há denúncias de servidores ''fantasmas'' - como são chamados os que recebem salário, mas não trabalham -, situação sustentada pelo apadrinhamento de senadores.
A pesquisa do DataSenado mostra que a grande maioria dos consultados, 89% deles, defende entre as medidas anunciadas, que a ''faxina'' da Casa dependerá da reforma administrativa, do corte de 10% dos gastos da Casa (88%), da redução do número de diretores (84%) e da limitação no uso de passagens pelos senadores (86%).
O ''trabalho'' do presidente José Sarney também foi avaliado. Para 17% dos ouvidos a atuação dele é ''péssima''; 9% a consideram ''ruim''. Seu desempenho foi considerado ''ótimo'' para 6%, ''bom'' para 27% e regular para 39% das pessoas consultadas.

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