Não há como enfrentar o problema da corrupção sem tratar a questão da impunidade no País. A corrupção é um crime racional e praticada com uma análise de custo-benefício. As opiniões são do coordenador do Ministério Público Federal (MPF) na Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol.
Para ele, a corrupção é um problema social. "Hoje, temos uma janela de oportunidades de mudanças no País", disse. Dallagnol destacou que as soluções que o Ministério Público aponta para o problema estão apoiadas em três pilares: fazer com que a corrupção não aconteça, alcançar uma punição e recuperação dos valores de modo adequado e o fim da impunidade.
"A corrupção hoje é um crime de baixo custo e alto benefício. Queremos que seja considerada um crime de alto risco mas, para isso, precisaria de uma reforma na legislação", afirmou. O promotor disse ainda que fica satisfeito ao ver a sociedade interessada no assunto e buscando mudanças. Dallagnol afirmou que, quando se olha para a história do Brasil, a corrupção vem desde antes da ditadura. "Desde a Nova República se criou a expressão mar de lama", lembrou.
Para ele, a corrupção acontece desde sempre no Brasil e é reflexo de uma cultura de exploração. Dallagnol lembrou que já no século XVII o Padre Antonio Vieira falava que os portugueses vinham ao Brasil buscar os nossos bens. E a corrupção se estendeu, segundo ele, ao longo na Nova República, da ditadura e no período de redemocratização do País.
Dallagnol participou ontem da abertura do 31º Congresso Brasileiro de Cirurgia que aconteceu ontem em Curitiba. O coordenador geral do congresso, Luiz Carlos Von Bahten, disse que hoje há um desrespeito no atendimento dos pacientes que buscam o sistema público de saúde. Para ele, o dinheiro que a saúde tanto precisa talvez não esteja vindo porque está em outros lugares não apropriados em função de corrupção e desvios de recursos.

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