Em tempos de mensalão, mensalinho, escândalo das sanguessugas e operação Navalha - e outras tantas da Polícia Federal (PF) -, são comuns os debates cotidianos sobre a sensação de aumento da corrupção. Em linha divergente, porém, há os defensores de que, na verdade, o que aumentou foi a fiscalização e a repressão desses casos que atentam contra os cofres públicos. Para a maior parte dos londrinenses, contudo, o diagnóstico é pessimista: os escândalos trazem uma conotação essencialmente negativa, à medida em que desmotivam a luta pelos direitos e deveres, ao mesmo tempo em que perpetuam a impunidade e incentivam a criminalidade.
Os dados constam da última pesquisa realizada pelo instituto Inbrape, encomendada e divulgada com exclusividade pela FOLHA. Ao todo, foram ouvidas 300 pessoas em pontos diferentes da região central de Londrina - na última quinta-feira -, pela técnica de amostragem não probabilística por conveniência e por cotas, quanto ao sexo e faixa etária.
O estudo apontou que para a maioria absoluta dos entrevistados, 92,5%, os sucessivos escândalos de corrupção nas três esferas do poder público revelam um aspecto negativo; 6,5% se disseram neutros, contra apenas 1% que considera positivo o reflexo.
Ao longo da pesquisa, seis perguntas foram formuladas. Na primeira, sobre os efeitos das denúncias de corrupção, desvio de dinheiro público e irregularidades nas administrações públicas, a maior parte dos entrevistados, 12,5%, considerou que todos os envolvidos são corruptos e egoístas. Para 8,4%, o panorama expõe o País a uma situação de vergonha.
Questionados se os casos recorrentes desmotivam o povo a brigar pela própria cidadania, restaram poucas dúvidas: na pesquisa por sexo, 77,3% dos homens e mulheres ouvidos - ou seja, praticamente três em cada quatro cidadãos - acreditam que a corrupção os desmotiva na luta pelos direitos e deveres, enquanto 18,1% são contra essa idéia. Outros 4,7% se disseram indiferentes ao tema. As proporções são as mesmas na pesquisa por faixa etária.
Indagados sobre as chances de a impunidade no Brasil continuar, a grande maioria, 80,9% - ou quatro em cada cinco pessoas -, acredita que sim, em contraste com os 15,8% que pensam o contrário. Aqui, 3,4% se mostraram indiferentes. Ao mesmo tempo, é alto também o índice dos que consideram que a população deve se mobilizar para cobrar a apuração e a punição dessas denúncias: 93,6% favoráveis.
E se a impunidade tem a conotação política, para os entrevistados vai além: mexe até mesmo com a noção de segurança pública. Para 91,3% dos entrevistados, a falta de punição conta agentes políticos envolvidos em escândalos pode incentivar a criminalidade.
Por fim, o levantamento quis saber o que o cidadão pensa sobre a mobilização da chamada elite intelectual - de estudiosos a artistas, por exemplo -contra a corrupção. Para 13,2%, essas pessoas estão envolvidas com a causa; para 11,8%, não estão envolvidos por comodismo.

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