Corrupção bate recorde em 2001
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de dezembro de 2001
Agência Estado 
Brasília - A administração pública vai fechar o ano com um novo recorde: o volume de dinheiro público comprovadamente desviado ou mal aplicado aumentou seis vezes mais que em 2000, passando de R$ 50,6 milhões para a surpreendente soma de R$ 330 milhões, em nove meses de 2001. As cifras podem crescer dez vezes mais, chegando ao montante assustador de R$ 3 bilhões, após a contabilização do último trimestre do ano e a conclusão das investigações de fraudes na extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e na Delegacia do Ministério da Fazenda em São Paulo.
Se em 2001 os números do mal gerenciamento da verba pública cresceram, as condenações também aumentaram em relação ao ano anterior. Em nove meses, 998 pessoas foram obrigadas a devolver recursos, 100 pessoas a mais que 2000. Entre os acusados está uma grande parcela de funcionários públicos, responsáveis pela sangria de R$ 16,2 milhões dos cofres federais.
O mapa da má aplicação de recursos públicos este ano acrescenta outro dado preocupante: das 304 obras públicas fiscalizadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), 121 apresentaram graves irregularidades, principalmente por ter sérias falhas no processo de licitação ou mesmo nos contratos firmados entre o poder público e empresas. Se os casos não fossem descobertos a tempo, os cofres da União poderiam perder até R$ 3 bilhões.
O terceiro trimestre de 2001 registrou um maior número de punição, já que 480 pessoas foram condenadas a ressarcir os cofres públicos em R$ 272,6 milhões (quase dez vezes mais que nos primeiros seis meses do ano), sendo que R$ 220 milhões foram referentes aos desvios das obras do Fórum Trabalhista de São Paulo e R$ 14 milhões das Sociedades Barra-mansense de Ensino Superior e Assistencial Barra-mansense de Ensino e Cultura. O principal envolvido no desvio do fórum é o juiz aposentado Nicolau dos Santos Neto, que está preso em São Paulo.
Mas o governo e o TCU ainda correm atrás do prejuízo causado pelas fraudes em alguns órgãos, que vai aumentar a contabilidade negativa da administração pública. Só da Sudam, até agora, foi confirmado o desvio de R$ 1,6 bilhão na aplicação de recursos do Fundo de Investimento da Amazônia (Finam). Na delegacia da Fazenda, em São Paulo, outro rombo de R$ 700 milhões está sendo investigado pela Polícia Federal e pelo TCU.
Segundo avaliação do presidente do TCU, Humberto Souto, muitas vezes as contas públicas são contestadas pelo fato de o administrador não ter experiência na movimentação dos recursos. Mas este não é o caso de alguns prefeitos, como o de São Mateus do Maranhão (MA), terá que devolver R$ 96,3 mil para a Fundação Nacional de Saúde. O prefeito simplesmente gastou o dinheiro, sem prestar contas.
Pelo volume de irregularidades constatados pelos órgãos fiscalizadores, fica comprovado que o gerencimento do dinheiro público ainda é falho. Só para se ter uma idéia, de 2.661 processos analisados pelo TCU, em 855 foram encontradas falhas.


