Patrícia Zanin
De Londrina
Um clima de descontentamento, revolta e desânimo tomou conta dos funcionários da Prefeitura de Londrina. Abatidos com as denúncias do escândalo AMA-Comurb, que envolvem o prefeito Antonio Belinati (PFL) e podem culminar na cassação de seu mandato, os servidores são alvo de gozação na cidade.
Muitos funcionários são taxados de ‘‘ladrões’’ e de fazer parte da ‘‘quadrilha’’ que assaltou os cofres públicos. Até agora, o Ministério Público (MP) comprovou rombo de pelo menos R$ 16 milhões da administração. A insatisfação só não é maior porque a prefeitura está pagando em dia os salários do funcionalismo.
Dos quase 8,5 mil servidores da administração direta, indireta e das frentes de trabalho, 870 deles estão lotados no prédio da prefeitura. Espalhados nas secretarias e nos departamentos, eles tentam manter a rotina de trabalho. Afinal, a burocracia não pode parar. Mas as queixas e reclamações são frequentes nas rodas do cafezinho. Fofocas e rumores também correm soltos nos banheiros e corredores. Dos altos funcionários ao pessoal da limpeza, o assunto é sempre o mesmo: o escândalo está na ordem do dia.
Na última quarta-feira, por exemplo, a Folha ouviu o seguinte desabafo em um dos corredores do ‘‘labirinto’’ da prefeitura: ‘‘Tem que ganhar muita grana para ser chefe e cúmplice dessa roubalheira’’.
A reportagem passou 12 horas no prédio, ouviu dezenas de servidores e constatou que imperam a lei do silêncio e a insatisfação. A maioria dos funcionários só deu entrevista com a garantia de anonimato, o que reflete o temor nesse momento de crise na prefeitura.
‘‘É uma mistura de tristeza, revolta, vergonha, impotência e apatia’’, desabafou uma servidora. ‘‘Como discutir qualquer projeto dentro da secretaria se a chefia e todo o secretariado só pensa no escândalo e só tem cabeça para defender o prefeito? Tá tudo parado e só se fala nisso’’, afirmou.
‘‘O maior impacto é que falta gerenciamento interno. O secretariado está muito envolvido politicamente e deixa a desejar internamente’’, analisou outro servidor. ‘‘A gente cuida só do feijão com arroz e a máquina administrativa fica emperrada pela série de denúncias’’, analisou.
Para outro servidor, o funcionalismo, impactado com o escândalo, se apega ainda mais à burocracia. ‘‘A insegurança faz isso. Há eficiência sem eficácia que a comunidade espera na prestação de serviços’’.
Também a solução interna de problemas fica comprometida. Um funcionário reclama que um caso simples, por exemplo, de transferência de um setor para outro, comumente resolvido em 15 dias, ainda não foi solucionado. O pedido foi requisitado há três meses.
Outro servidor disse que a produtividade não chegou a ser afetada, mas o clima de insatisfação e de desânimo interferem no dia-a-dia. ‘‘Temos que pensar é que é preciso fazer o melhor, já que o servidor é empregado da prefeitura e não do prefeito e que prefeito muda de quatro em quatro anos, enquanto o funcionário permanece’’, emenda outro funcionário.Descontentamento em relação aos desvios de recursos públicos investigados pela promotoria toma conta do funcionalismo
Milton DóriaDESOLAÇÃOCorredor de entrada da prefeitura, depois do expediente: vazio reflete o clima que atinge funcionários públicosJosoé de CarvalhoCONSEQÜÊNCIADenúncias de desvio afetam frequência no gabinete do prefeito. Atendimento prestado por assessoras reduziu

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