Corrida quente é no Senado
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de outubro de 2018
Luiz Geraldo Mazza 
Corrida quente é no Senado
Embora Ratinho Junior festeje vitória no primeiro turno, o que é contestado por Cida, que crê numa disputa final, o que realmente surpreende é a eleição senatorial, em que todos previam vitória de dois ex-governadores, e que apresenta quatro deles em empate técnico em segundo lugar, conforme Ibope recente, com Richa com 17%, Arns 16, Oriovisto 15, Canziani 14, apenas Requião, lá na frente, com 39.
É a majoritária com pegada, com punch, adensamento de disputa e com o público de olho nas pesquisas, aguardando mudanças na classificação. Percebe-se aí sobretudo o desgaste de Beto Richa com as investigações de corrupção, com seu espólio eleitoral retalhado entre os demais candidatos, com a inversão valorativa de sua expressão pessoal como os casos de Oriovisto Guimarães e Alex Canziani, que se tornaram viáveis numa disputa em que não pareciam ter condições de competição, e especialmente de Flávio Arns, favorecido pelos fatores sedimentais que lhe asseguraram a vitória numa eleição intrincada em que bateu o ex-governador Paulo Pimentel e o empresário Tony Garcia sob a legenda do PT.
A Lava Jato permeia mais essa eleição, a senatorial, do que a do governo, posto que o empenho de Cida Borghetti e de João Arruda, seja em cima dos atos de corrupção do governo Richa - com este preferindo o marketing oficial dos feitos otimistas de sua gestão como resposta mais adequada do que a simples negação dos malfeitos a que tanto se agarra, com baixíssimo retorno.
Heranças
Uma das heranças de Beto Richa é a Agepar, a agência reguladora, posta em xeque agora com as denúncias da Lava Jato e que não se ligou de forma alguma na intervenção pleiteada pelo governo e especialmente a Procuradoria Geral do Estado no sistema de pedágio. Há membro do Conselho da entidade, como o empresário Chiminazzo, preso e já denunciado. Em todos os atos relativos ao pedido de intervenção como entrevistas coletivas a governadora não apareceu com o fito de tirar qualquer suspeita eleitoreira em cima do episódio e apenas deu sequência a uma posição deliberada de não prorrogar os contratos, e agora, em função dos fatos novos no fluxo judicial, pleitear o pronunciamento da justiça. Também foi evitada a temeridade do ato de Lerner no passado, que reduziu linearmente as tarifas em 50% e que garantiu a sua vitória na disputa com Requião para o governo, mas implicou nos degraus tarifários, até hoje pesando no custo Paraná.
Isso é a herança de maior peso, mas há outras como a questão penitenciária invocada nesta quinta (4) com a rebelião de Maringá.
Crise
O endividamento familiar ainda preocupa, apesar da escalada de reabilitações no mês de setembro, já que houve o registro de 27% em atraso.
Carros elétricos
Surpreendeu nos dados de emplacamento do Detran o aumento expressivo da frota de carros elétricos no Paraná e esse fato já encontrou uma resposta da Federação das Indústrias, que criou uma unidade gerencial e de inovação do sistema para tratar, de forma específica, sobre o tema. Dos órgãos federais a binacional de Itaipu tem feito investimentos apreciáveis na área.
Violência
Na delegacia da Mulher uma investigação em andamento ganha destaque: um caso de estupro que teria ocorrido na Casa da Estudante.
Bolsonaro
Curitiba e o Paraná vão surpreender com os números do bolsonarismo por aqui: temos tradição, pois em 1955, num pleito de liberais e populistas fortes como Juscelino Kubitschek e Adhemar de Barros, Plínio Salgado, chefe da Ação Integralista, de ultradireita venceu com facilidade em Ponta Grossa e Curitiba. Nesta quinta, por exemplo, o debate na Globo só o favoreceu, justamente com a ausência e que transformou Fernando Haddad no alvo preferencial dos demais postulantes e assegurando vantagens enormes. Tentativas de agregação em favor de Ciro Gomes contra Bolsonaro poderiam no máximo ser exercidas no evento pelo fato de ser o melhor colocado, mas ainda muito distante do petista.
Mesmo na prisão o esforço de Lula para ajudar Haddad é permanente: está no caso tanto do pedido de direito a ser entrevistado ou até no de querer exercitar o voto, forma dramática de um esforço final e possível de vitória. O voto do ex-presidente detém força alegórica, tanto quanto o da entrevista.
Folclore
Conforme o Datafolha, 48% dos eleitores de Alckmin, 43% dos de Ciro e 62% dos de Marina Silva podem mudar até domingo. Já os protagonistas mais fortes, Bolsonaro e Haddad, têm a fidelidade de 84% dos apoiadores no primeiro caso e de 82% no segundo. É polarização para ninguém botar defeito.


