Acabou o tempo em que Ciro Gomes (PPS) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) movimentavam-se sozinhos na corrida presidencial. Os articuladores do governo estão determinados a arrastar a escolha do candidato do Palácio do Planalto até março do ano que vem, mas já admitem que o time governista começou a jogar. Em campo, o governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), o ministro da Saúde, José Serra (PSDB) e a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (MA) que, a partir desta semana, intensificarão a campanha, mesmo sustentando o discurso de que ainda é cedo para lançar a candidatura.
Enquanto Tasso e Serra cumprem uma agenda movimentada de viagens e reuniões com parlamentares e empresários e o PFL de Roseana investe em mais um programa de 20 minutos, que vai ao ar em cadeia de rádio e televisão na quinta-feira, o PMDB tenta fugir do racha iminente. Com eleições prévias para a escolha do candidato do partido ao Planalto marcadas para 20 de janeiro, o PMDB não tem pré-candidato para engrossar o time do governo. Inscritos para a disputa interna, o senador Pedro Simon (RS) e o governador de Minas Gerais, Itamar Franco, são identificados como oposição ao governo, ao lado do governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PSB).
Reuniões como as de quarta-feira, quando Tasso jantou com o presidente da Câmara, Aécio Neves (MG), e Serra reuniu-se com 48 tucanos em torno de um saboroso javali com mirtillo, serão cada vez mais comuns em Brasília. ''Esses encontros estão sendo ótimos para que os parlamentares possam conhecer Serra melhor, diz o deputado Xico Graziano (PSDB-SP).
Mas tanto o ministro como governador têm agenda agitada fora do Estado nos próximos dias. Ao mesmo tempo em que Tasso prepara-se para uma reunião com empresários e industriais fluminenses, Serra, que passou a sexta-feira no Rio, embarca amanhã para o interior de Santa Catarina.
Em pauta, mais um lançamento do programa bolsa alimentação, fazendo contato com o povo e com líderes políticos locais. Na linha de frente da articulação em favor da candidatura Serra, o líder do PSDB na Câmara, Jutahy Júnior (BA), defende a tese de que os melhores agentes de divulgação da candidatura do ministro da Saúde são os tucanos. Tanto que, na última reunião do ministro com a bancada da Câmara, o líder insistiu na estratégia de intensificar a campanha a partir do próprio PSDB. ''Se temos certeza de que o Serra é o melhor presidente que o País pode ter, então cabe ao partido transformá-lo no melhor candidato em 2002'', propôs Jutahy.
A despeito da preocupação de alguns com o embate interno entre Tasso e Serra, os tucanos ligados ao governador e ao ministro concordam que a pré-candidatura de ambos é um fato consumado e positivo. ''A movimentação de ambos, ocupando a mídia com as idéias do PSDB e as realizações do governo, é legítima e excelente para o partido e para o presidente Fernando Henrique (Cardoso)'', diz, sem rodeios, o presidente da Câmara, Aécio Neves.
''O fato real é que os dois estão postos, intervindo no processo, e isto pode até ser bom para apressar a decisão interna'', completa o vice-presidente nacional do PSDB, deputado Alberto Goldman (SP). O motivo da angústia deste e de muitos outros tucanos do grupo serrista é a preocupação em não ''desperdiçar'' o horário eleitoral gratuito a que o partido tem direito no rádio e na televisão. ''Enquanto o PFL investe tudo na Roseana, nós vamos acabar jogando esta oportunidade fora por falta de definição'', queixa-se o senador Antero de Barros (PSDB-MT).
O investimento do PFL na governadora é total, mas ao mesmo tempo cauteloso. ''Temos que nos conduzir com prudência, para que nossa posição possa admitir recuo amanhã'', explica um dirigente pefelista, ao salientar que o partido mantém a pregação da aliança o tempo todo e que a própria governadora já acertou que não disputará com Tasso. No programa de quinta-feira, uma precavida Roseana dirá que ainda não sabe se será ou não candidata a presidente, o que ela só vai resolver mais adiante. O que ela deixará claro é que não aceita, em nenhuma hipótese, que venham lhe dizer que ela não pode ser candidata porque é mulher.
A preocupação do PFL em relação à candidatura do ministro da Saúde é pragmática. Mais do que torcer por Tasso, o partido teme o racha que a opção Serra pode produzir. Afinal, o ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) já defendeu abertamente a candidatura Tasso e deu sinais claros de que poderá abrir uma dissidência no partido se for forçado a apoiar Serra. Para desespero do Planalto, neste caso, o PFL baiano ameaça despejar votos em Itamar Franco ou Ciro Gomes.

mockup