Corrida ao governo em 2018 movimenta bastidores da AL
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terça-feira, 23 de maio de 2017
Amanda Audi<br>Especial para a FOLHA 

Curitiba - O tabuleiro de xadrez das eleições para governador do Paraná em 2018 já começou a ser montado. Três pré-candidatos ao cargo já se reuniram reservadamente com o presidente da Assembleia Legislativa (AL), Ademar Traiano (PSDB). Nesta terça-feira (23), foi a vez do ex-senador Osmar Dias (PDT). Nas últimas semanas, passaram pelo gabinete do presidente o secretário de Desenvolvimento Social Ratinho Jr. (PSD) e a atual vice-governadora Cida Borghetti (PP). Todos já anunciaram a pré-candidatura.
A cerimônia do "beija-mão", como se diz nos bastidores, é importante aos postulantes ao Palácio Iguaçu pela necessidade de se manter um bom relacionamento com os deputados estaduais, responsáveis por votar as leis do Estado e mensagens do Executivo.
Traiano classificou a reunião com Osmar como uma "conversa amena" e o "início de um processo de conversação". Acompanhados da bancada do PDT na casa, os dois discutiram o cenário da política nacional e local após as denúncias envolvendo o presidente Michel Temer (PMDB).
"Estamos vivendo um momento político no ano que vem e as conversas estão acontecendo, não apenas com o Osmar, mas também com outros pretendentes [ao governo estadual", disse Traiano.
Ratinho jantou com Traiano e deputados de partidos aliados no começo do mês. Na ocasião, teria proposto o cargo de vice ao PSDB. Os mais cotados, nesse cenário, seriam o próprio Traiano e o atual chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni.
Já Cida se encontra com Traiano com frequência, para tratar de assuntos de interesse do governo na AL, mas usaria essas reuniões para falar de sua candidatura.
Traiano é cuidadoso para não declarar apoio a ninguém neste momento. "Eu sou o presidente de um partido, não posso me antecipar nos processos. Apenas estamos conversando", pontuou.
Na prática, os três pré-candidatos têm ligação com o governador Beto Richa (PSDB) e buscam o apoio dele. Cida e Ratinho por causa dos cargos no Executivo, e Osmar se reaproximou do tucano no ano passado.
Outras legendas, incluindo os principais partidos da oposição no Estado, PT e PMDB, ainda não divulgaram publicamente candidatos ao pleito o que é incomum, visto que ano anterior às eleições costuma ser marcado por movimentação e amarrações políticas.
LAVA JATO
O cenário ainda pode ser invertido por causa das denúncias relacionadas à Operação Lava Jato. Osmar Dias é investigado por supostamente ter recebido R$ 500 mil de caixa 2 na campanha ao governo do Paraná em 2010 pela empreiteira Odebrecht, de acordo com o delator Fernando Reis, ex-presidente da Odebrecht Ambiental. Osmar nega as irregularidades.
Naquele mesmo ano, 2010, Cida Borghetti teria recebido o repasse de R$ 50 mil para a campanha de deputada federal, de acordo com planilha que também consta de delação da Odebrecht. Ratinho Jr. também teria recebido R$ 250 mil da Odebrecht na campanha para a prefeitura de Curitiba em 2012. O valor consta em uma tabela de contabilidade paralela da empresa.
Tanto Ratinho como Cida não foram alvos de pedido formal de investigação e não constam do recente "listão da Odebrecht", que elenca políticos e personalidades que tiveram abertura de inquérito autorizada pelo Supremo Tribunal de Federal (STF). Ambos negam o recebimento de recursos.
O próprio apoio de Richa pode ser um fator complicado nas eleições. O governador também está na lista da Odebrecht como tendo sido beneficiário de R$ 2,5 milhões não declarados nas eleições de 2014. A citação foi encaminhada pelo STF ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que decide sobre políticos com foro de governador. Richa sempre negou irregularidades em sua campanha.


