Corretores acusam PT de golpe
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quinta-feira, 30 de julho de 1998
Silvio Bressan Agência Estado 
O presidente da Federação Nacional dos Corretores de Seguros Privados (Fenacor), Leoncio de Arruda, acusou ontem o diretório regional do PT de São Paulo de prejudicar o mercado dos corretores, ao criar um plano de seguro para os simpatizantes e filiados do partido. É ilógico, ilegal e imoral, denunciou Arruda.
O partido lançou o plano OPTei Seguros, entra com a marca e a lista dos filiados e recebe 20% sobre a venda. De acordo com Arruda, o fato de o PT usar uma corretora de fachada (a Corrente), não esconde o propósito de entrar no ramo da corretagem para fundos eleitorais.
Para Arruda, o partido está descumprindo a Lei 4.594/66, pela qual a comissão da venda do seguro só pode ser paga a um corretor profissional ou ao pressuposto. Existem 63 mil corretores no mercado, que respondem por 300 mil empregos e que sobrevivem graças às comissões que o PT pretende agora desviar para a sua campanha, criticou.
Ele é que está sendo desleal com uma corretora sócia da federação, retrucou um dos diretores da Corrente Seguros e responsável técnico pelo projeto, Fernando Souza. Segundo ele, o PT não venderá seguros e nem ficará com a comissão. Pelo contrário, ao entrar com sua marca para estimular filiados e simpatizantes a adquirir o seguro, o partido está criando mercado para os corretores, explica Souza.
O diretor da Corrente afirma que só corretores habilitados venderão o seguro, administrado pela corretora e bancado por um pool de três grandes empresas do ramo: Vera Cruz, Sul Amércia e Porto Seguro. Eventualmente, eles podem ser militantes porque isso facilita a venda para os petistas, mas antes de tudo, serão corretores profissionais, ressalta. Pela administração do seguro, a Corrente receberá 30% do que for comercializado. Desse montante, sairá a comissão do corretor, explica. Fora disso, o PT ganha 20% como estipulante.


