RIO - O corretor de imóveis Edgard Clare, de 72 anos, garante já ter 50 mil assinaturas que vai apresentar ao Senado e exigir que os direitos políticos do ex-presidente Fernando Collor sejam restituídos. Eles foram cassados no impeachment. Clare é presidente da desconhecida Associação de Defesa Comunitária (Adec), no bairro da Tijuca, zona norte do Rio. Em 14 de abril, ele mandou uma carta a Richard Peck, reitor da Universidade do Novo México, para protestar contra a decisão de impedir que Collor desse aulas e conferências naquela instituição.
Embora garanta que a Adec seja independente, Clare dá pistas de que a entidade é controlada por Collor e seu objetivo é preparar a volta do ex-presidente ao cenário político. Perguntado sobre quando enviará o abaixo-assinado para o Senado, ele responde: ‘‘Estou esperando que alguém acima de mim dê o sinal verde e as pessoas inteligentes sabem de quem estou falando’’. Clare confirmou que, pelo menos uma vez por mês, conversa por telefone com Collor ou com seu assessor de imprensa em Miami, Rony Curvello.
Para Clare, o direito de expressão de Collor foi violado pelo reitor da Universidade do Novo México, que ‘‘preferiu dar ouvidos a professores petistas de Campinas, que fazem parte de uma esquerda radical’’. Defensor de ‘‘paredón (fuzilamento) para os ladrões do povo’’, Clare disse acreditar na inocência de Collor. ‘‘Nunca um brasileiro, depois de ser tão investigado, foi plenamente absolvido pelo Supremo Tribunal Federal como ele’’. Na avaliação do corretor, Collor ‘‘foi vítima de um golpe do Congresso, onde no máximo 20% dos integrantes resistiriam a uma investigação tão feroz como a que o ex-presidente foi submetido’’.
Ele não poupa elogios a Collor, mas acha que o ex-tesoureiro de campanha Paulo César Farias teria ‘‘abusado da confiança do ex-presidente’’. O presidente da Adec também refuta a acusação de que Collor seja sonegador. ‘‘Ninguém declara doações no Imposto de Renda’’, afirmou. ‘‘O Collor foi democrático e permitiu que a Polícia e a Receita Federal o investigasse’’, afirmou. ‘‘Um homem que acabou com as ações e cheques ao portador não pode ser comprometido com corrupção’’, disse.
Para Clare, PC negociava com dinheiro de empresários, mas Collor ‘‘jamais deixou que ele desse a contrapartida em dinheiro público’’. Revoltado com os cara-pintadas, estudantes que pediram impeachment de Collor, Clare indaga: ‘‘Por que eles não se pintam para protestar contra os ladrões dos precatórios?

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