O corretor de automóveis Lourival Neves dos Santos, de Londrina, admitiu ontem conhecer o ‘‘laranja’’ José Aparecido dos Santos, de Florestópolis (73 km ao norte de Londrina), que teve fotos 3x4 usadas na abertura de contas fantasmas em agência do Banestado de Londrina. Ele negou, no entanto, qualquer participação em esquema de lavagem de dinheiro investigado em 30 inquéritos da Polícia Federal (PF).
As declarações foram dadas ontem à tarde em depoimento ao delegado Sandro Roberto dos Santos, da PF, responsável pela investigação. Orientado pelo advogado Marco Antônio Busto de Souza, Lourival saiu da PF sem dar declarações. ‘‘Mas ele (Lourival) não tem nenhum envolvimento com esse caso’’, assegurou Busto.
O nome do corretor foi citado no depoimento de José Aparecido, que o acusou de roubar fotos 3x4 utilizadas na abertura da empresa fantasma ‘‘Freitas & Dutra’’. A conta bancária da empresa serviu para lavar parte do dinheiro desviado da Prefeitura de Londrina em licitações fraudulentas.
Segundo Busto, Lourival conheceu José Aparecido numa oficina mecânica, onde o corretor levava carros para consertar. À PF, o laranja declarou que trabalhava nessa oficina e, numa dessas ocasições, ganhou uma carona do corretor para comprar marmitex. Quando desceu do carro, esqueceu a carteira no console do carro e as fotos 3x4 que carregava sumiram. ‘‘Ele nunca deu carona (para comprar marmitex), como o Aparecido acusou, nem pegou qualquer foto.’’
Busto admitiu ainda que Lourival conheceu o servidor municipal João Edson Danzinger, conhecido como ‘‘João Boquinha’’. Segundo depoimento de José Aparecido, Lourival teria repassado a foto dele para Danzinger, que providenciou a abertura da empresa fantasma. O servidor também foi acusado pelo contador Ilvino Fazoli, de Londrina, de ‘‘encomendar’’ a elaboração dos contratos sociais das empresas fantasmas hoje investigadas pela PF. ‘‘Ele (Lourival) conheceu o Danzinger em estacionamento, mas sem qualquer envolvimento pessoal ou profissional’’, afirmou o advogado.
A PF aguarda agora documentação bancária solicitada há mais de um mês para o Banestado, como cópia de cheques e documentos de ordem de crédito. A demora estaria ocorrendo por causa da dificuldade em viabilizar a microfilmagem dos cheques.

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