Corretor apresenta ofício em que desmente representação
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quinta-feira, 10 de abril de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
O corretor de automóveis José Pinheiro Filho, conhecido por ''Maringá'', apresentou ontem ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cópia de uma declaração por escrito que ele teria sido convidado a assinar - durante reunião na Sala da Presidência da Câmara, no último dia 25 - admitindo ser do ex-vereador Orlando Bonilha (PR) a real autoria de uma representação que pedia a cassação de oito parlamentares.
A representação, protocolada na Câmara no último dia 14 e assinada por Maringá, se baseava em uma lista apresentada ao Gaeco pelo empresário Marcelo Caldarelli em fevereiro passado, quando começaram as investigações sobre suposto pagamento de propina pela doação de um terreno público, em dezembro de 2005. A iniciativa do corretor de automóveis acabou não vingando por não fornecer, na avaliação da assessoria jurídica legislativa, quaisquer indícios consistentes de provas contra os vereadores citados.
No inquérito instaurado esta semana pelo delegado do Gaeco, Alan Flore, para apurar eventual crime de falsidade ideológica, o corretor depôs não saber ler nem escrever - saberia apenas assinar o nome. No depoimento, ao qual a FOLHA teve acesso, Maringá declarou ter sido de Bonilha e do advogado deste, Ronaldo Neves, a suposta autoria da representação. Para tal, ele teria convidado a participar de uma reunião no escritório do advogado e assinar um documento para ''promover uma reunião com os vereadores''. Instantes depois, Neves teria vindo de outra sala já com o ofício pronto para assinatura, a fim de fazer ''o favor'' que Bonilha, seu amigo e para quem trabalhara na campanha passada, lhe pedira.
Ainda no depoimento, o corretor salientou que ''15 a 20 dias após'' ter protocolado a representação, um assessor do presidente da Câmara - vereador que disse conhecer ''há muito tempo'' - o teria procurado para falar com o petebista. Na sala da Presidência, teria ouvido que entrou ''numa fria''. Nessa ocasião, relatou, estariam também Gláudio Lima (PT), Tercílio Turini (PPS) e Luiz Carlos Tamarozzi (PTB). Ao Gaeco, o corretor afirmou que nesse 'encontro' foi redigida a declaração apresentada ontem, lida a ele, e, enfim, assinada. Sucinta, e com data de 25 de março, ela apenas resume os fatos de modo a ficar clara a suposta participação de Bonilha e do advogado.
''Além da coleta de outros dados, todas as pessoas citadas no depoimento serão chamadas a depor oportunamente, não necessariamente na condição de investigados'', resumiu o delegado.
Tamarozzi confirmou a presença na reunião com o corretor, à imprensa, durante a sessão de ontem, mas disse que ''só amanhã (hoje)'' falaria a respeito. Gláudio disse não ter sido dele a iniciativa, admitiu ter participado de parte da conversa, mas ressalvou: ''Estava apenas de passagem por ali''. Turini adotou tom semelhante: ''Fui à Presidência por outras razões; peguei o bonde andando. Mas não vi documento algum ser redigido''. Souza não quis falar com a reportagem - ''à FOLHA'', avisou, só o faria por escrito - no fim da tarde, quando a assessoria de imprensa foi contatada para tal, o vereador já havia ido embora.
Bonilha e Neves novamente estavam ontem com os celulares desligados e não foram localizados para comentar o assunto. Melindrado, Maringá aceitou conversar com a reportagem na Associação Corretores de Automóveis de Londrina (Acal) em uma sala reservada, com gravador desligado e a porta fechada. Ele confirmou pontos do depoimento ao Gaeco, mas disse que deve se manifestar ''de verdade'' apenas em ''uma ou duas semanas''. Enquanto acontecia a conversa, funcionários do local o provocavam descascando uma laranja e lhe oferecendo, na janela de vidro. Do lado de fora, um corretor afirmou que era ''bastante comum'' a presença de Bonilha no local ''até semana passada''.


