Correspondentes afirmam temer censura
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quarta-feira, 12 de maio de 2004
Agência Folha 
Rio de Janeiro - A Associação dos Correspondentes da Imprensa Estrangeira, com sede no Rio, divulgou nota em que afirma temer que a decisão do Ministério da Justiça de cancelar o visto de permanência no país do jornalista americano Larry Rohter seja um aviso no sentido de que, para trabalhar no Brasil, [os jornalistas] devem escrever reportagens que agradem ao governo.
O texto diz que o ato, muito grave, fere a liberdade de imprensa e lembra os períodos mais obscuros da história do país, em alusão à censura durante o regime militar (1964-1985).
Já a ACE (Associação dos Correspondentes Estrangeiros) pediu, por meio de uma carta aberta ao governo brasileiro, que a decisão de cancelar o visto de Rohter seja reconsiderada. Nós, jornalistas da imprensa estrangeira, precisamos de nossos vistos para trabalharmos e esperamos poder exercer nossas funções sem o temor de que seremos censurados, diz a nota.
A Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) disse, também em nota, lamentar e repudiar a reportagem escrita por Rohter e afirma que a postura do governo brasileiro ante a posição hegemônica dos Estados Unidos é a causa de uma campanha difamatória. No entanto, a entidade diz que a retaliação ao jornalista americano não combina com a tradição democrática do nosso país.
A ANJ (Associação Nacional de Jornais) lançou, no final da tarde, uma nota de repúdio à ação do governo. A ANJ é associada e representa no país a Associação Mundial de Jornais. De acordo com a entidade, a medida é calcada em bases legais que restaram de uma legislação autoritária tantas vezes combatida e que merece repulsa quando é retomada. A nota também faz críticas à reportagem de Larry Rohter, mas afirma que o texto não causa mais dano ao país do que um ato de notória ameaça à liberdade de imprensa.


